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Custos de produção dos medicamentos genéricos estão a aumentar. Pode haver rutura nas farmácias?
08 jul, 2026 • André Rodrigues
Apesar da evolução registada nas últimas décadas, a utilização de medicamentos genéricos em Portugal continua estagnada entre os 50% e os 52% do mercado ambulatório.
Estão a aumentar os custos de produção dos medicamentos genéricos - que representam cerca de metade dos medicamentos vendidos nas farmácias. A indústria avisa os preços praticados em Portugal podem fazer com que o mercado se torne menos atrativo.
Pode haver falta de medicamentos?
Pode, em algumas situações, se Portugal deixar de ser competitivo face a outros países europeus. Primeiro porque os preços dos genéricos em Portugal são baixos e a diferença face a mercados de referência pode ultrapassar os 30%.
Por outro lado, está cada vez mais caro produzir e transportar medicamentos, devido ao aumento do aumento do custo das matérias-primas, dos seguros e da instabilidade internacional — motivada, em grande parte, pela guerra no Médio Oriente.
Portanto, se uma farmacêutica tiver de escolher onde colocar um medicamento, pode preferir países onde o preço compensa mais.
Isso pode levar a uma rutura de medicamentos genéricos nas farmácias?
Podem faltar alguns genéricos. Mas, por agora, não se antecipa um cenário de rutura generalizada. A questão é: se Portugal continuar a praticar preços muito baixos, numa altura em que produzir e transportar medicamentos está mais caro, as empresas podem dar prioridade a países onde a venda compensa mais.
E aqui o risco é que alguns medicamentos deixem de chegar com a mesma regularidade às farmácias portuguesas. Mas não se trata de uma rutura.
Quais são os genéricos mais expostos a falhas de stock?
Medicamentos para a hipertensão, colesterol ou diabetes, porque são usados por muitos doentes e têm margens mais reduzidas. Ainda assim, é importante sublinhar que não existe uma lista de medicamentos em risco de rutura.
Mas o setor pede um aumento de preços. Porquê?
Porque alguns medicamentos estão a perder viabilidade económica. Os genéricos são mais baratos do que os medicamentos de marca e funcionam com margens mais apertadas.
E com os custos de produção a subir, os preços atuais podem deixar de compensar.
Como se resolve?
Com mais incentivos para aumentar o uso de genéricos. A Associação Portuguesa de Medicamentos pela Equidade em Saúde pede medidas dirigidas a médicos e farmacêuticos para reforçar a prescrição e a dispensa destes medicamentos.
O objetivo é aproximar Portugal de outros países europeus, onde os genéricos representam pelo menos três em cada quatro medicamentos dispensados fora dos hospitais.
Por outro lado, o setor defende uma revisão dos valores para garantir que estes medicamentos continuam disponíveis no mercado português.
Mas isso significa que vamos ter de pagar mais pelos genéricos?
Pode acontecer, mas não é automático. Depende do medicamento, do preço final e da comparticipação do Estado. A acontecer, uma parte dessa subida pode ser suportada pelo Serviço Nacional de Saúde.
Ainda assim, o setor insiste que os genéricos continuam a compensar, porque possibilitam poupanças significativas face aos medicamentos de marca.
Portanto, continuam a ser uma forma de poupar dinheiro às famílias e ao Estado, mas essa poupança só existe se os medicamentos continuarem disponíveis.
O problema é que o barato pode sair caro. Neste caso, preços demasiado baixos tornam o mercado menos competitivo e podem levar as farmacêuticas a dar prioridade a outros mercados.































