Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Japão, um país e uma economia especiais

19 jun, 2020 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O Japão já foi motivo de receio na Europa e nos EUA por causa do excepcional avanço da sua indústria depois da II guerra mundial. Mas desde a década de 90 do séc. XX a economia japonesa entrou em estagnação, apesar dos estímulos monetários e fiscais que tem recebido.

Tem-se falado pouco do Japão, a não ser da sua prolongada incapacidade de superar uma quase estagnação económica desde há décadas. Há quarenta anos atrás, a concorrência japonesa, e não apenas no sector automóvel, preocupava os europeus e os americanos.

Indo mais atrás, o Japão começou a modernizar-se apenas na segunda metade do séc. XIX. Mas fê-lo com êxito e rapidez.

Politicamente os japoneses tiveram governos autoritários, por vezes próximos do fascismo, até serem derrotados na II guerra mundial. O Japão entrou neste conflito sem declaração de guerra, mas com um bombardeamento aéreo de surpresa aos navios americanos estacionados em Pearl Harbor, em Honolulu, Havai.

Os japoneses portaram-se com grande brutalidade na guerra que se seguiu com os EUA. Conflito a que só duas bombas atómicas, em Hiroshima e Nagasaki, poriam termo.

Depois, os americanos instalaram-se no Japão e conseguiram criar no país uma constituição democrática, que tirou poderes ao imperador – mas não o destituiu. A partir daí o mundo seguiu com admiração, mas algum receio também, o notável progresso económico japonês.

Só que, em finais do séc. XX, a economia japonesa entrou praticamente em estagnação, com inflação muito baixa ou até negativa. O banco central do Japão combate esta situação com taxas de juro baixíssimas e (por causa da pandemia) com empréstimos de emergência a empresas em dificuldades, a juros muito baixos.

Mais recentemente entrou em ação também a política orçamental. Este ano, com o problema adicional da pandemia, o dinheiro do Estado no apoio à economia deve atingir cerca de 40% do PIB japonês. Mas a economia japonesa já estava em recessão antes de o coronavírus surgir. A dívida pública do Japão presume-se que atinja 240% do PIB.

No entanto, os mercados não parecem particularmente preocupados com este nível da dívida do Estado japonês. Provavelmente porque no Japão é elevada a poupança das famílias e das empresas (demasiado elevada, do ponto de vista do crescimento económico).

Mas a perplexidade maior está no fraco efeito conseguido por toda esta chuva de dinheiro quanto a estimular a economia, num país que tem uma alto grau de envelhecimento. Nem o consumo nem o investimento crescem no Japão, contra o que seria de esperar. Matéria para os economistas tentarem perceber.

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