Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Uma estranha negociação

06 nov, 2023 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Criou-se a impressão de que, agora, se trata sobretudo de o Governo lançar sobre os médicos o odioso de não chegarem a acordo. Os sindicatos dos médicos têm continuado a aceitar novas reuniões de negociação, até quando?

Quando, há dez dias, numa reunião entre os sindicatos dos médicos e o ministério da Saúde, não foi alcançado acordo, as negociações foram prolongadas para nova reunião. Também aí não houve acordo, mas nova reunião foi marcada. E assim sucessivamente tem acontecido.

Não admira que, perante esta rotina, a comunicação social - jornais, rádios, televisões –, que se tinha mobilizado em força para a reunião de 6 de outubro, tenha dado menos tempo e espaço aos encontros dos médicos com o ministério da Saúde. E começaram a ouvir-se vozes observando que um eventual acordo entre as duas partes não seria, afinal, decisivo e que muitos dos graves problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) se manteriam, mesmo depois de um acordo com os médicos.

Esta situação negocial, que lembra a que se passa há muito entre os professores e o ministério da Educação, suscita dúvidas sobre o empenho do Governo em que as coisas melhorem no setor da saúde, onde estão a piorar. Até porque o ministério da Saúde apresentou aos médicos as mesmas propostas rejeitadas pelos sindicatos em reunião anterior.

Criou-se, assim, a impressão de que, agora, se trata sobretudo de o Governo lançar sobre os médicos o odioso de não chegarem a acordo. Os sindicatos dos médicos têm continuado a aceitar novas reuniões de negociação, mas até quando? O Governo precisa de mostrar que age de boa fé nesta estranha negociação.

Entretanto, multiplicam-se os fechos de urgências. E o bastonário da Ordem dos Médicos denunciou que há hospitais que estão a funcionar com equipas nos serviços de urgência que não cumprem os números mínimos de especialistas, colocando em risco a segurança dos doentes.

Neste quadro são escassas as esperanças de que uma situação pacificada seja possível e atenue os problemas que afetam o SNS e muito prejudicam quem dele precisa.

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