Deflação na China
16 jul, 2025
A economia chinesa está, de novo, com problemas de deflação. Será o regime coletivista da China capaz de se livrar da deflação sem um maior recurso ao mercado? É um grande desafio a que Xi Jinping terá de responder.
Nós, os portugueses mais velhos, conhecemos bem os malefícios da inflação, a alta geral dos preços. Mas o mal inverso - a deflação, queda geral dos preços - não é menos perigoso para a atividade económica.
Quando os preços baixam, muitos decisores económicos adiam operações. Se se trata de uma compra, adiam esperando que preço baixe ainda mais. Se é uma decisão de investir, adiam esperando que os preços voltem a subir, de modo a amortizar a despesa do investimento.
Na China a deflação faz estragos. Na indústria chinesa os preços, em média, descem há 32 meses sem interrupção, incluindo no setor da produção automóvel. E o setor habitacional está em crise desde 2021. Muitas casas compradas pelas famílias chinesas não chegaram a ser construídas, eliminando um valor de cerca de 18 triliões de dólares na riqueza das famílias. O que contribui para o enfraquecimento da procura global, um grande problema de fundo na economia chinesa.
Como se sabe, a China não tem uma economia de mercado. A sua economia é de direção central. Provavelmente por isso, muitas empresas chinesas estão dispostas a manter e mesmo a expandir a sua produção com lucros negativos. Aliás, a competição entre empresas chinesas é em boa parte concretizada baixando preços.
As autoridades chinesas avançam frequentemente com grandes investimentos empresariais. Daí resulta que uma substancial parte da capacidade instalada não tem aplicação produtiva. É o caso, nomeadamente, da siderurgia.
Este clima deflacionário na China não é novidade. Entre 2016 e 2023 os preços desceram na maior parte das empresas industriais. E, antes disso, registou-se uma baixa geral de preços entre 2012 e 2015.
Será o regime coletivista da China capaz de se livrar da deflação sem um maior recurso ao mercado? É um grande desafio a que Xi Jinping terá de responder.
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