22 out, 2025
A Renascença evocou há dias o trágico desastre ocorrido em Lisboa na noite de 25 para 26 de Novembro de 1967, lembrando que o regime então vigente não permitiu uma informação verdadeira sobre quantos mortos teriam então provocado as cheias. Oficialmente morreram 462 pessoas, mas sabe-se que o número real pode ter chegado aos 700.
O governo de então, não democrático, queria impedir que as pessoas conhecessem a real dimensão da tragédia. O resultado foi que então circularam boatos apontando um número muito mais alto do que o verdadeiro relativamente ao número de mortos.
É o que acontece quando o poder político pretende ocultar certas realidades. Era o antigo regime. Pelo contrário, a democracia trata as pessoas com respeito, considerando-as adultas.
Na altura da tragédia de 1967 figuras da Igreja reclamaram contra a falta de uma informação verídica. Falta que então ocorria também quanto às vítimas da guerra colonial em curso. E a censura prévia impedia, por exemplo, que os jornalistas noticiassem mortes por suicídio.
A democracia pode ter muitos defeitos, mas não proíbe as críticas, incluindo sobre a maneira como funciona a informação pública.