Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Liberdade de informar

22 out, 2025 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Em 1967, fortes chuvadas provocaram cheias em vários pontos do país, nomeadamente na área de Lisboa. Morreu muita gente, mas o número de vítimas foi escondido aos portugueses.

A Renascença evocou há dias o trágico desastre ocorrido em Lisboa na noite de 25 para 26 de Novembro de 1967, lembrando que o regime então vigente não permitiu uma informação verdadeira sobre quantos mortos teriam então provocado as cheias. Oficialmente morreram 462 pessoas, mas sabe-se que o número real pode ter chegado aos 700.

O governo de então, não democrático, queria impedir que as pessoas conhecessem a real dimensão da tragédia. O resultado foi que então circularam boatos apontando um número muito mais alto do que o verdadeiro relativamente ao número de mortos.

É o que acontece quando o poder político pretende ocultar certas realidades. Era o antigo regime. Pelo contrário, a democracia trata as pessoas com respeito, considerando-as adultas.

Na altura da tragédia de 1967 figuras da Igreja reclamaram contra a falta de uma informação verídica. Falta que então ocorria também quanto às vítimas da guerra colonial em curso. E a censura prévia impedia, por exemplo, que os jornalistas noticiassem mortes por suicídio.

A democracia pode ter muitos defeitos, mas não proíbe as críticas, incluindo sobre a maneira como funciona a informação pública.

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