24 out, 2025
Em 1970 Francisco Pinto Balsemão convidou-me para jornalista do Diário Popular. Antes disso eu colaborava na organização de algumas páginas de jornais dedicadas a temas da economia. Como era o caso do Diário de Notícias, por exemplo.
Aquele convite trazia uma novidade - eu iria ocupar-me apenas de temas económicos. A velha guarda do jornalismo estranhou a especialização; para ela, o jornalista era por definição um generalista. Hoje essa ideia está completamente ultrapassada.
No Diário Popular, um vespertino já extinto que chegou a vender cem mil exemplares por edição, Francisco P. Balsemão funcionava como uma espécie de diretor não nomeado. A maioria do capital do Diário Popular estava nas mãos de um tio de Balsemão; uma pessoa de extrema-direita que não apreciava as posições democráticas do sobrinho.
Meses depois do convite de Balsemão, o tio vendeu o jornal ao grupo empresarial Borges liderado por Miguel Quina. F. P. Balsemão telefonou-me, desolado, a dar a triste notícia.
Mas, tendo cessado a sua vida profissional no Diário Popular, daí F. P. Balsemão partiu para novas e brilhantes iniciativas na área do jornalismo e não só, como tem sido amplamente divulgado.
Para mim, o gesto do convite de Balsemão para trabalhar naquele vespertino foi decisivo: tornei-me jornalista profissional, profissão de que muito gosto.
Mantive sempre excelentes relações pessoais com Francisco P. Balsemão, colaborando pontualmente com ele. Por exemplo, quando Balsemão se tornou líder do PPD-PSD e depois primeiro-ministro, na redação de discursos. Mas a minha grande dívida a F. P. Balsemão é ter-me encaminhado para a profissão de jornalista.