27 out, 2025
Há dez dias atrás, Trump previa uma reunião cimeira com Putin no princípio de novembro, em Budapeste, capital de um país que alinha pela Rússia. Agora, porém, Trump anulou a prevista cimeira e, mais importante, aplicou sanções às duas principais empresas petrolíferas russas. Para tentar perceber o sentido desta mudança de rumo, convém reparar nalguns factos recentes.
Referindo-se à tal reunião cimeira em Budapeste, Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, afirmou que preferia que aquela reunião fosse entre Zelensky e Putin. A senhora Kallas não o disse, mas o que parece é que ela não gostaria que Trump participasse nessa cimeira.
Aconteceu que se tornara evidente que Putin, que sabe lidar com a vaidade de Trump, obcecado com ganhar o Prémio Nobel da Paz, estava a entreter Trump com conversa fiada. O próprio Trump reconhece agora que “sempre que falo com Vladimir Putin tenho boas conversas, mas depois parece que não vão a lado nenhum”.
De facto, Trump assumia como suas muitas das posições de Putin e exercia fortes pressões sobre o presidente da Ucrânia, Zelensky, para que este aceitasse humilhantes condições russas para a paz no seu país; caso contrário, dizia Trump, a Rússia destruirá tudo...
O presidente dos EUA queria ser simpático para Putin, à custa dos ucranianos. Mas tornou-se claro que este caminho não poderia levar à paz. Por isso Trump viu-se forçado a mudar de posição e, pela primeira vez, aplicou sanções a sério à Rússia.
Francisco