Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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T​rump muda de rumo

27 out, 2025 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Durante demasiado tempo Trump manteve uma posição simpática para Putin. Por isso pressionava Zelensky para fazer concessões à Rússia. Finalmente, Trump mudou de posição.

Há dez dias atrás, Trump previa uma reunião cimeira com Putin no princípio de novembro, em Budapeste, capital de um país que alinha pela Rússia. Agora, porém, Trump anulou a prevista cimeira e, mais importante, aplicou sanções às duas principais empresas petrolíferas russas. Para tentar perceber o sentido desta mudança de rumo, convém reparar nalguns factos recentes.

Referindo-se à tal reunião cimeira em Budapeste, Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, afirmou que preferia que aquela reunião fosse entre Zelensky e Putin. A senhora Kallas não o disse, mas o que parece é que ela não gostaria que Trump participasse nessa cimeira.

Aconteceu que se tornara evidente que Putin, que sabe lidar com a vaidade de Trump, obcecado com ganhar o Prémio Nobel da Paz, estava a entreter Trump com conversa fiada. O próprio Trump reconhece agora que “sempre que falo com Vladimir Putin tenho boas conversas, mas depois parece que não vão a lado nenhum”.

De facto, Trump assumia como suas muitas das posições de Putin e exercia fortes pressões sobre o presidente da Ucrânia, Zelensky, para que este aceitasse humilhantes condições russas para a paz no seu país; caso contrário, dizia Trump, a Rússia destruirá tudo...

O presidente dos EUA queria ser simpático para Putin, à custa dos ucranianos. Mas tornou-se claro que este caminho não poderia levar à paz. Por isso Trump viu-se forçado a mudar de posição e, pela primeira vez, aplicou sanções a sério à Rússia.

Francisco

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  • Não confiem
    27 out, 2025 Num volátil 11:50
    O que Trump faz hoje, desfaz amanhã, sem qualquer problema. A Paz consegue-se quando a Ucrânia começar a defender-se com pleno êxito dos ataques aéreos russos, e no terreno não só suster as investidas russas, como começar a fazer recuar os invasores. E claro, fazer estragos de monta em infraestruturas russas essenciais, DENTRO de território russo. Quando Putin perceber que por via militar nada mais vai conseguir e até arrisca perder o que roubou até agora, vai pensar seriamente em negociações e deixar-se do ridículo "Plano de Paz" que tem apresentado até agora e que a Ucrânia rejeitou desde o 1.º minuto e nada, nem bombardeamentos dia e noite, ou pressões de Trump, fizeram alterar.