30 out, 2025
As semanas passam e a França continua sem um governo capaz de tomar medidas para travar o crescimento do desequilíbrio das suas finanças públicas. O défice orçamental da França está em 5,4% do PIB e tende a subir. Foi deixada cair a subida de dois anos da idade da reforma.
Sobem os juros que os investidores exigem da França para lhe emprestarem dinheiro. A agência Moody’s baixou na passada semana a perspetiva da dívida soberana francesa, medida que a Fitch e a Standard & Poor’s já haviam tomado.
Entretanto, os deputados do partido de extrema direita de Marine Le Pen são agora o maior grupo parlamentar na Assembleia Nacional francesa. Aumenta a probabilidade de a França caminhar para um regime autoritário com alguns traços de fascismo.
É muito forte em França a tendência para as decisões dos políticos serem inviabilizadas por protestos de rua. Recorde-se o mais recente caso, o movimento dos Coletes Amarelos, desencadeado em outubro de 2018 contra a subida dos preços dos combustíveis e que durou anos. Mas agora o bloqueio das instituições francesas não parte da rua.
A ingovernabilidade da França não é um fenómeno recente. Em 1958 o general de Gaulle, presidente da República, avançou com uma nova constituição para pôr termo à instabilidade política. Esta constituição da V República, como é conhecida, reforçou os poderes presidenciais. Só que agora Macron, presidente da República, não consegue fazer aprovar no parlamento as medidas de estabilização financeira de que o país carece. E não se vislumbra no horizonte uma personalidade forte como era o general de Gaulle.
Com a França em vias de se tornar ingovernável, sofre a integração europeia, dependente como está da colaboração entre a França e a Alemanha.
Francisco