05 nov, 2025
“Passos Coelho vai ser o unificador da direita”. Este é o título do artigo da Ana Sá Lopes no Público da passada segunda-feira. A articulista é uma competente analista da vida política nacional, pelo que levo a sério o que ela escreve.
Referindo-se a Passos Coelho, afirma Ana Sá Lopes que “as suas intervenções públicas têm confirmado uma aproximação ao discurso do Chega”. Estamos assim perante duas direitas, a democrática e a outra, que mandou em Portugal até ao 25 de abril de 1974. Não é por acaso que a direita não democrática evita associar-se publicamente ao regime entre nós vigente até essa data. Mas é para aí que caminham políticos como Passos Coelho. Conviria avisar a malta.
Hoje só uma minoria de velhos, como eu, faz questão em ter presente o que representou a falta de liberdade do chamado “Estado Novo”. A maioria da atual população portuguesa não sabe o que é viver em ditadura.
A censura prévia, a polícia política, o receio do poder político não democrático, as enormes manchas de pobreza... Tudo isso são traços do regime derrubado em 25 de abril de 1974, que cinquenta anos antes ninguém desejava, mas que todos tivemos que aguentar.
Os políticos da direita não democrática não falam dessa herança liberticida, mas ela é incontornável.