Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Os europeus e a Ucrânia

07 nov, 2025 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Os países europeus devem assumir o financiamento das despesas militares da Ucrânia. O que não só evitaria que a Rússia cantasse vitória, como responderia às hesitações de Trump.

Há um certo tipo de jornalismo que não se limita a apontar o que está mal, mas avança com propostas concretas sobre o que deveria ser feito. É este o caso do semanário britânico The Economist.

É assim que o Economist vem propor aos países europeus que invistam a sério na defesa da Ucrânia e explica porquê. No final de Fevereiro, Trump, presidente dos EUA, cortou o financiamento à Ucrânia. O que leva a recear que Putin leve a melhor sobre os corajosos ucranianos. Por isso é urgente que os países europeus assumam o financiamento à defesa da Ucrânia, um encargo da ordem de cerca de metade do PIB ucraniano.

Só desta forma será possível evitar uma derrota da Ucrânia perante a Rússia, que seria também uma pesada derrota da Europa. Ora manter a defesa da Ucrânia face ao agressor russo permitirá colocar em evidência as fraquezas do Kremlin.

Mas não só. O maior envolvimento dos países europeus no financiamento da defesa da Ucrânia tornará a Europa menos dependente dos EUA, numa altura em que é incerto o compromisso de Trump com a NATO.

Ora o orçamento militar da Europa já é quatro vezes superior ao orçamento militar da Rússia. E a economia europeia é dez vezes maior do que a economia russa.

Por tudo isto, o Economist escreve que, longe de fugir a se comprometer com o financiamento da defesa ucraniana, a Europa deve aproveitar esta oportunidade histórica e... vencer a guerra.

Comentários
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  • Pois
    07 nov, 2025 Eur 11:37
    A Europa, não: ALGUNS países da Europa, aqueles que contam para estas contas. Uma Europa paralisada pelos vetos dos cavalos-de-tróia da Russia - Hungria e Eslováquia - não serve de muito à Ucrânia. Porque basta pensar um pouco, para chegar à conclusão que a Europa tem tudo a ganhar com a Ucrânia manter-se independente: um aliado-tampão contra a Rússia que de outro modo estaria a "morder" as nossas fronteiras, e não ter o exército ucraniano incorporado na Rússia e a ser lançado contra nós, com vontade ou sem ela.