14 nov, 2025
Na cerimónia comemorativa dos 50 anos de independência de Angola participou o Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que salientou o bom relacionamento do país com aquela ex-colónia portuguesa. Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou mesmo que a ligação de Portugal a Angola é “única”, superando o relacionamento com as outras ex-colónias.
Mas o balanço feito à situação política e económica de Angola, 50 anos após a independência, é bastante negativo. Segundo o Banco Mundial mais de um terço da população angolana vive, ou sobrevive, com apenas 2,15 dólares por dia.
O jornal Público, por exemplo, dedicou seis páginas à comemoração dos 50 anos de independência, com o título a “derrota” do país que “era para ser nós todos”. Predomina ali a “desesperança”, com até a elite a não acreditar no futuro do país. Isto acontece, apesar de entretanto ter felizmente acabado uma longa e mortífera guerra civil.
Na sua última carta pastoral a Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé denuncia o “alarmante desvio de fundos públicos”, bem como a “escandalosa expatriação de capitais, enquanto ao pobre cidadão se pede sacrifício”. Em declarações ao Público, o poeta e jornalista José Luís Mendonça fala no ciclo vicioso em que o país está metido, referindo que os “funcionários públicos competem entre si pelo abuso do erário, numa promiscuidade inimaginável entre o interesse pessoal e o interesse da res publica”.
Assim se compreende que uma recente sondagem realizada pela revista Jeune Afrique em 47 países africanos mostre que os angolanos são os que menos confiam no futuro do seu país. Enfim, não há muito para celebrar nos primeiros 50 anos de independência de Angola.
Francisco