24 nov, 2025
No dia da venda do Novo Banco aos franceses do grupo bancário BPCE aquela instituição financeira foi alvo de buscas. Estava em causa a suspeita de práticas eventualmente lesivas das contas do Novo Banco. Agora, a dias de terminar o prazo para a manifestação de interesse (22 de novembro) na privatização de 44,9 % do capital da TAP, a empresa foi alvo de buscas, que envolveram também três das mais importantes sociedades de advogados.
No caso da TAP estará em causa a venda de 61% do capital da empresa a um consórcio liderado pelos empresários David Neeleman e Humberto Pedrosa, os quais alegadamente terão comprado a TAP com dinheiro da própria empresa. Houve contratos celebrados pela TAP e a Airbus que poderão violar o preceito do Código das Sociedades Comerciais que impede que uma sociedade conceda empréstimos ou forneça fundos a um terceiro para que este compre ações do seu próprio capital.
Nada disto é novidade e fora já objeto de investigações várias. Apenas se estranha a tendência das autoridades nacionais para avançarem com privatizações e simultaneamente com suspeitas e buscas envolvendo empresas a privatizar. Não será esta tendência propícia a valorizar a venda das empresas que se pretende vender.
Mas se o véu das suspeitas for denso e difícil de ultrapassar antes de consumada a privatização, talvez faça sentido privatizar com suspeitas e tudo.