01 dez, 2025 • Francisco Sarsfield Cabral
As ameaças de Trump contra a Venezuela e os narcotraficantes que operam na região evocam um passado não muito distante durante o qual os EUA intervieram nos países vizinhos, por vezes militarmente. Mas a Cuba atual atravessa uma crise económica e social de enorme dimensão, que bem merecia uma intervenção não hostil dos EUA.
O semanário britânico The Economist publicou recentemente um artigo dando conta da terrível situação cubana. A economia de Cuba caiu 11% desde 2019. A produtividade dos cubanos encontra-se abaixo do nível de 28 países latino americanos, entre os quais o Haiti.
89% das famílias cubanas vivem em extrema pobreza. 70% dessas famílias são forçadas a prescindir de pelo menos uma refeição diária. Apenas 3% dos cubanos consegue abastecer-se nas farmácias dos medicamentos de que necessita.
Vale a milhões de cubanos receberem algum dinheiro dos três milhões de familiares que passaram a viver no estrangeiro. Nos últimos cinco anos cerca de um quarto da população de Cuba abandonou o país. O peso cubano passou de valer 20 dólares em 2019 para valer hoje 450 dólares. O turismo colapsou.
Houve em Cuba uma tímida abertura à iniciativa privada. Mas o Estado cubano conta com milhares de adeptos do marxismo-leninismo, que encaram com desconfiança as empresas privadas. E como várias dessas pessoas continuam a deter o poder político, colocam graves obstáculos não apenas à atuação dos empresários privados, como à livre expressão de opiniões contrárias à ideologia vigente. Milhões de cubanos foram atirados para as prisões por delito de opinião.
Não se vislumbra, assim, uma saída para a galopante tragédia económica e social de que sofre Cuba. Terão os sofrimentos dos cubanos de atingir níveis ainda mais intoleráveis para que a derrotada ideologia marxista permita algum alívio à iniciativa privada.