05 dez, 2025
Na noite de terça-feira, em Moscovo, os enviados de Trump, presidente dos EUA, mantiveram mais de cinco horas de reunião com a gente de Putin. Como de costume, Trump mostrou-se otimista, confiando que dali sairia um acordo. Mas daquele encontro não saiu nada de positivo.
O facto não é surpreendente para quem não acredita que Moscovo deseje um acordo de paz ou até um mero cessar-fogo na Ucrânia. Putin fez duras críticas aos países europeus, por estarem a “prejudicar os esforços de Trump para alcançar a paz”.
Os esforços de Trump concentram-se numa grande pressão sobre Zelensky, tentando que este concorde com as exigências russas, que são inaceitáveis para um patriota. A posição de Zelensky ficou enfraquecida com o escândalo de corrupção que levou ao afastamento de um seu próximo colaborador. Felizmente os países europeus que apoiam a Ucrânia consideraram impossíveis as medidas que Putin exige – e que mais propriamente configuram uma rendição da Ucrânia à Rússia.
Putin reagiu violentamente contra esta posição dos europeus, dizendo que a Rússia está pronta para combater a Europa. E acusou os países europeus de não quererem a paz. Por vezes até parece que foi a Ucrânia quem invadiu a Rússia...
Tem valido a resistência dos países europeus para evitar que a paz seja conseguida à custa da rendição da Ucrânia. Trump parece desorientado e voltou a colocar dúvidas quanto ao empenhamento dos EUA na NATO. São tempos difíceis para a Ucrânia, que não pode confiar em aliados que, afinal, mais parecem inimigos.
Um papel decisivo cabe aos países europeus, evitando que a Ucrânia seja abandonada. Um sinal positivo é a crescente cooperação entre três líderes europeus – o presidente francês Macron, o chanceler alemão Metz e o primeiro-ministro britânico Starmer.