17 dez, 2025 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A pobreza recuou alguma coisa entre nós. Mas o combate à pobreza não pode abrandar.
Na semana passada o INE divulgou os resultados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento. Tivemos assim a boa notícia de que em Portugal havia em 2024 menos cem mil pessoas em risco de pobreza do que um ano antes. Mas ainda existiam 1,66 milhões em risco de pobreza, vivendo com menos de 723 euros por mês per capita. Se for possível manter esta tendência nos próximos anos poderemos chegar a 2030 atingindo a meta de uma taxa de pobreza a rondar os 10%.
Estes resultados, sendo positivos, fazem-nos ter consciência do que a pobreza ainda representa no nosso país. Sem os apoios sociais o nível da pobreza seria quase o dobro do que foi registado pelo INE, o que evidencia o carácter prioritário desses apoios. Por outro lado, entre 2023 e 2024 o INE informa que a pobreza se agravou nas famílias monoparentais com pelo menos uma criança (de 31% para 35,1%) e nos agregados constituídos por dois adultos com duas crianças (de 12% para 14,2%).
Ou seja, se a baixa da pobreza, em média, é positiva, há situações em que os resultados são negativos – desaconselhando qualquer recuo no esforço financeiro de combate à pobreza. Esta tem causas estruturais, que incluem baixos salários, precariedade laboral e baixas prestações sociais, como aponta a Rede Europeia Anti-Pobreza.
Como alertou o Prof. Carlos Farinha Rodrigues, permanece e até se agrava, a pobreza das crianças e dos jovens. Numa palavra, o combate à pobreza não pode abrandar.
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