19 dez, 2025
Avaliando a ameaça antidemocrática da extrema-direita, o semanário The Economist recomenda que não se crie um alarme apocalítico porque nem sempre traduz a realidade e é suscetível favorecer a direita radical. Assim, vale a pena examinar os vários casos em que a extrema-direita já se encontra no poder.
Começando por Itália, onde Giorgia Meloni é desde há três anos chefe do governo. Ligada a forças políticas próximas do fascismo, Meloni tem governado a Itália com governaria um político não de extrema-direita. Por exemplo, defende a Ucrânia e culpa a Rússia de agressão.
No Reino Unido o partido da direita radical de Nigel Farage subiu muito nas sondagens, em boa parte com a entrada de políticos até aí militantes no partido conservador, que caiu brutalmente. E tem feito propostas orçamentais sensatas.
Em França a União Nacional de Marine Le Pen desde há anos tem crescido à medida que abandona posições de direita radical, como era o caso do pai Le Pen, entretanto expulso do partido. Agora, o número dois da União Nacional, Jordan Bardella, multiplica contactos com representantes dos meios de negócios.
Na Alemanha está ainda em vigor a política do “cordão sanitário”, impedindo ligações dos partidos democráticos tradicionais à AfD, de extrema-direita.
Mas na Hungria o partido de Viktor Orbán, no poder, é abertamente contrário à democracia, controlando a informação através de empresas jornalísticas dominadas por empresários ligados ao poder político.
De um modo geral, os partidos europeus da direita radical mostram-se hostis à integração europeia e, portanto, à União Europeia, bem como à imigração. Vale, aqui, o facto de a imigração ilegal na Europa, excetuando o Reino Unido, ser hoje metade da que era em 2023.
Reconhecendo, embora, que alguns partidos europeus de extrema-direita têm vido a tornar-se menos extremistas, importa que os europeus valorizem a liberdade, que só os partidos realmente democráticos garantem.