24 dez, 2025
O acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia) levou 26 anos a negociar. Finalmente, estava para ser assinado no corrente mês de Dezembro, mas essa assinatura foi adiada para Janeiro.
Boa parte dos agricultores europeus não gosta do acordo, receando a concorrência de países do Mercosul em produtos agrícolas. Em 16 de Dezembro o Parlamento Europeu aprovou uma cláusula de salvaguarda: se ameaçarem com grandes volumes de bens agrícolas, causando prejuízos graves a agricultores europeus, as trocas livres destes produtos seriam suspensas.
Mas os agricultores europeus redobraram os seus ataques ao acordo. Em Bruxelas registaram-se os maiores a mais violentos protestos de agricultores europeus desde 1990. A Itália e a França pediram mais tempo para tranquilizar os seus agricultores.
Nada garante, assim, que o acordo UE-Mercosul venha a ser assinado em Janeiro. Compreende-se a frustração do presidente do Brasil, Lula da Silva, que avisa que, se o acordo não for assinado em Janeiro, ele se recusa a assinar qualquer acordo com a UE.
A política agrícola comum, praticada na UE, começa a não ser aceite pelos agricultores, que reclamam mais proteção. Querem uma espécie de “Europa fortaleza” que os proteja. O que se passa com o acordo UE-Mercosul poderá repetir-se desde que surjam novos pretextos.
Claro que o funcionamento de um mercado livre pode e deve ser limitado por leis para evitar que a agricultura europeia seja varrida pela concorrência. Mas não é aceitável que os agricultores exijam essa tal “Europa fortaleza”, como parece estar a acontecer, prejudicando gravemente os consumidores da UE.