12 jan, 2026
A França votou contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai), após 25 anos de negociações. Uma maioria de países da UE assegurou a aprovação do acordo. Falta agora a ratificação pelo Parlamento Europeu.
Os agricultores franceses promoveram violentas manifestações contra o acordo; o governo francês votou contra, mas sabendo que o acordo passaria. Por isso o seu voto não revelou força, mas fraqueza. A França carece de um governo digno desse nome e por isso fica incapaz de se opor às manifestações de rua.
A França está há longos meses sem um governo estável. Macron, presidente francês, não consegue uma maioria parlamentar para governar. O que tem contribuído para o crescimento do partido de Marine Le Pen, de extrema direita.
O crescimento deste partido é, em boa parte, o resultado da “domesticação” da sua ideologia, promovida por Marine Le Pen desde há anos. Nesse esforço para tornar o partido mais aceitável pelos franceses, Marine chegou a expulsar do partido o seu pai. O primeiro líder do partido, Jean Marie Le Pen, assumira posições muito agressivas, que assustavam os franceses, como, por exemplo, negar o holocausto.
Uma vez que Marine Le Pen está impedida do concorrer à Presidência da República por ter sido condenada por desvio de fundos, avança para tal posição o número dois do partido Jordan Bardella, um jovem de 30 anos, eurodeputado, que se relaciona sobretudo com empresários também jovens.
É altamente provável que J. Bardella venha a ser eleito presidente da França, em 2027. Vale a pena seguir com atenção as posições deste partido, considerado de extrema direita mas que se tem afastado de extremismos para crescer.