Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Tempos difíceis para a Ucrânia

13 jan, 2026 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Os tempos não estão fáceis para os ucranianos que defendem a sua pátria da agressão russa. As ajudas à Ucrânia estão agora a um nível mais baixo do que estavam há mais de um ano.

O potencial bélico da Rússia é superior ao da Ucrânia. Os novos meios de ataque russos causam grandes danos nas zonas civis da Ucrânia. Enquanto os ucranianos dificilmente conseguem suprir as baixas de mortos e feridos em combate, a Rússia dispõe de uma maior população, o que lhe permite encarar como um mal menor as suas baixas.

A queda da Ucrânia às mãos de Putin, que se desdobra em elogios aos seus militares, seria uma séria derrota da Europa. Percebe-se, assim, que o futuro da Urânia como país livre esteja muito dependente dos países europeus.

A Ucrânia não pode hoje contar com o apoio dos Estados Unidos. Trump tem tomado posições que não são favoráveis a Kiev. A sua preocupação é figurar como obreiro da paz, se possível recebendo o Prémio Nobel da Paz, nem que seja à custa da Ucrânia.

Daí que Trump insista com Zelensky para que este concorde com concessões à Rússia que seriam uma abdicação da independência da Ucrânia.

Trump gosta de se mostrar ao mundo como um parceiro dos principais líderes internacionais. Estes, como Putin, esforçam-se por tratar bem Trump, lisonjeando-o com frequência, mas sem cederem um milímetro nas suas posições.

Esta situação foi muito clara nas conversas que Trump manteve com Putin, que não deu um passo em matéria de concessões suscetíveis de trazerem a paz, apesar do Presidente dos EUA se multiplicar em elogios ao líder russo. Segundo Trump, as suas conversas com Putin e outros líderes mundiais correm sempre muito bem, trazem importantes progressos, etc. Só que a realidade é bem diferente.

Interrogado sobre o que pensava quanto ao mais recente cerco feito pela China à ilha de Taiwan, Trump disse não haver problema, pois ele é um grande amigo de Xi Jinping e este não lhe falou em nada de problemático.

A vítima desta situação é Zelensky. Que sofre violentas pressões de Trump para que faça concessões à Rússia. Até onde poderá o presidente da Ucrânia manter-se nesta ingrata posição?

PS. Esta coluna passa a ser publicada duas vezes por semana, à terça e à sexta feira.

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