16 jan, 2026
O Irão tem sido governado como uma teocracia. Quem ali manda são crentes assumidos do Islão. Os atuais dirigentes do Irão não conhecem limites para o uso do poder - pois se eles defendem a fé, os seus adversários são inimigos de Deus (Alá). Assim, numa teocracia o poder político atinge extrema violência.
A atual vaga de protestos no Irão já terá feito mais de dois ou três mil mortos. Trump prometeu ajudar os patriotas que naquele país protestam contra a tirania religiosa. Mas, numa entrevista a Pedro Mesquita, da Renascença, afirmou Sepideh Radfar, uma professora universitária iraniana a residir em Portugal há muitos anos: “O meu medo é o ataque americano, os danos que vai causar aos civis, à vida dos iranianos."
Esta professora tinha em vista que Trump prometeu ajudar os iranianos que protestam e são violentamente reprimidos pelas autoridades do Irão. Trump adiantou mesmo que “a ajuda está a caminho”.
Trump apenas é sensível ao poder, à força. Por isso a sua intervenção no Irão dificilmente irá trazer a paz a esse país. Ele quer mandar no Irão como está a mandar na Venezuela, onde estabeleceu um governo fantoche que segue as suas diretrizes. Só que a situação no Irão é muito diferente.
Na Venezuela Trump, se prezasse a democracia, deveria ter programado eleições gerais. No Irão deveria dar passos no sentido de um regresso a um poder político não religioso, que a prazo poderia convocar eleições, devolvendo o poder ao povo.
Mas tudo isso teria sentido se Trump fosse um democrata. Como não é, compreendem-se os receios de que a sua ajuda aos que protestam acabe por ainda piorar a vida aos desgraçados iranianos.