23 jan, 2026 • Francisco Sarsfield Cabral
No mundo a democracia é posta em causa por Trump, que multiplicou ameaças e depois recuou, como é seu hábito. Entre nós, a democracia está em causa na segunda volta da eleição presidencial.
Nos últimos dias o mundo assistiu à afirmação do poder de Donald Trump, que é o poder militar dos Estados Unidos, de que ele é agora presidente. Multiplicaram-se as ameaças, seja a aplicação de direitos alfandegários proibitivos aos países que não obedecessem a Trump (as célebres “tarifas”), seja a ameaça do emprego da força militar.
Como sempre, Trump recuou e autoelogiou-se por não recorrer ao poder militar. Mas não abandonou os seus planos.
Desta vez, a reação dos países europeus foi pronta. França, Itália, Noruega e Suécia demarcaram-se do Conselho da Paz, um organismo que Trump inventou, surgindo como uma alternativa à ONU – e ao qual ele presidirá a título vitalício! É a democracia que Trump quer ver afastada, sendo substituída por organismos e normas que concretizem as suas pretensões pessoais.
Também em Portugal a democracia estará em causa na eleição presidencial que terá lugar no próximo dia 8 de fevereiro (segunda volta). Face a um candidato de fortes convicções democráticas encontra-se um político do partido Chega, cuja adesão à democracia levanta dúvidas.
Ora os portugueses já tiveram de suportar quase meio século de um regime autoritário, pouco sensível às exigências da liberdade. Mas parece haver quem não se importaria de regressar a um passado não democrático. Por isso a democracia estará em causa na segunda volta da eleição presidencial no nosso país.