03 fev, 2026
Em maio próximo termina o mandato do atual presidente da Reserva Federal (Fed), banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, que tem vindo a ser atacado por Trump por não baixar as taxas de juro. O seu sucessor, há dias anunciado, Kevin Warsh, é elogiado por Trump. Só que Trump também elogiara J. Powell e depois cobriu-o de insultos por ele não baixar os juros da Fed.
A independência dos bancos centrais em matéria de política monetária desagrada aos governantes com tendências ditatoriais. Acontece, porém, que a experiência das últimas décadas mostra que bancos centrais independentes dos governos lograram dominar a inflação.
O semanário The Economist lembra que, desde que em 2012 a Reserva Federal fixou a meta de 2% para a subida geral dos preços, a subida média anual da inflação nos EUA ficou em 2,3%, contra uma subida média de 7 a 8% nos anos 1970 e 1980. Já em países, como a Turquia, onde o governo comanda a política monetária, registaram-se subidas de preços dez vezes mais elevadas.
A opinião pública dos EUA, muito sensível à inflação, já se deu conta das vantagens de confiar a um banco central independente do governo a condução da política monetária. Por isso as tentativas de Trump e outros líderes autoritários de passarem eles a mandar nesta área - basicamente, na subida e descida dos juros - poderá revelar-se impopular.