Dúvidas sobre a regionalização
20 mar, 2026
Entre nós há consenso sobre o excesso de centralização administrativa. Mas não são abordadas as dúvidas que a regionalização suscita.
Parece ser um facto indesmentível que Portugal sofre de um excesso de centralismo administrativo, o qual trava o desenvolvimento de grande parte do país. A resposta, dizem, poderá estar na regionalização.
Em 1998, num referendo em que mais de 50% dos eleitores não votaram, a existência de regiões administrativas foi bloqueada. De então para cá surgiram apelos a um novo referendo sobre esta matéria, apelos que não foram seguidos por medidas de tendência regionalizadora.
Entretanto, acelerou o despovoamento do interior. A economia portuguesa vive em concorrência no quadro da economia europeia, o que leva à concentração de ativos onde eles já existam, ou seja, no litoral. Daí a dúvida: será que num interior enfraquecido podem surgir novos polos de desenvolvimento?
Vale a pena observar o que se passa em Espanha. Nesse país existem 17 autonomias regionais, com órgãos políticos próprios (como entre nós acontece nos Açores e na Madeira). Mas esta regionalização não travou o despovoamento nem a concentração do crescimento económico nos polos onde ele já se fazia sentir em Espanha.
Por outro lado, como desenhar as regiões administrativas no Continente sem que elas, ou parte delas, fiquem dependentes dos polos existentes no litoral, como Porto e Lisboa?
Conviria, assim, que os apelos à regionalização em Portugal tomassem em conta as dúvidas acima referidas.
Francisco
- 12 mai, 2026
- 08 mai, 2026
- 05 mai, 2026
- 28 abr, 2026
- 24 abr, 2026
- 21 abr, 2026
- 17 abr, 2026
- 14 abr, 2026
- 10 abr, 2026
- 07 abr, 2026



