Defender a paz
17 abr, 2026
Sucedem-se as críticas de Trump e de apoiantes seus às posições do Papa Leão XIV, que defende a paz. A Igreja não faz política, mas não pode ignorar políticas desumanas.
Numa imagem de um horrível mau gosto Trump aparece como se fosse Jesus Cristo.
É mais um exemplo de abuso da mensagem cristã para tentar defender certas posições políticas – por exemplo, a guerra contra o Irão.
O Papa Leão XIV não tardou a reagir. E fê-lo por razões morais, como antes havia criticado o tratamento desumano dos imigrantes. “Vou continuar a falar veementemente contra a guerra, a defender a paz”, afirmou Leão XIV.
Não é só a guerra que preocupa os cristãos. É, também, aquilo que alguém designou por delírio de omnipotência. Ou seja, a tendência a tudo valorizar apenas em termos de poder, esquecendo imperativos éticos e levando à indiferença perante o sofrimento dos outros.
Como aqui escreveu José Luís Ramos Pinheiro no passado dia 7, “enquanto o Secretário americano da Defesa usa a religião para justificar a política, ao defender que os soldados dos Estados Unidos no Irão estão a combater por Jesus, o Papa, nascido em Chicago, tem vindo a insistir no oposto: não misturem Jesus com esta ou outras guerras”.
Soaram chocantes a ouvidos cristãos ideias como arrasar a civilização persa numa só noite ou desejar o regresso do Irão à idade da pedra. A agressiva ignorância de Trump não desculpa tudo.
Não é de surpreender que “nem Hitler nem Mussolini atacaram o Papa de forma tão direta e pública”, disse à Reuters o historiador M. Faggioli. A Igreja não faz política, mas não pode ignorar políticas desumanas.
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