Trump e a democracia
05 mai, 2026
Não é democrático afirmar ter vencido eleições quando se perdeu. Uma tal posição favorece um clima de ódio na sociedade.
Nunca reconhecer a derrota – este é um princípio que Trump segue desde há muito. Assim, ainda hoje afirma ter vencido as eleições de 2020, que lhe teriam sido “roubadas”, não obstante inúmeras sentenças judiciais confirmarem os resultados eleitorais. Uma tal posição não é apenas anti-democrática, como favorece um clima de ódio na sociedade.
Uma das conquistas da democracia foi permitir que quem perde um combate político não seja eliminado pelo vencedor e possa aspirar a uma vitória em posterior combate. Pelo contrário, os partidários de Trump olham os seus adversários políticos como inimigos a abater.
Ora em democracia as divergências ocorrem numa base comum de respeito pelas regras do jogo político. Quando esse respeito não existe, “vale tudo” para derrotar os opositores. A polarização da vida política, levando aos extremismos, torna-se imparável.
Trump e os seus seguidores lançam uma permanente suspeita sobre os resultados das eleições, o que pode levar a que muitos não exerçam o seu direito de voto. É um convite ao avanço do populismo autoritário, às democracias iliberais.
Trump é, assim, um grande impulsionador das democracias iliberais, que não são verdadeiras democracias. Que um país, como os EUA, comemore deste modo os 250 anos da sua existência, é chocante.
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