A crise da NATO
08 mai, 2026
Os países europeus são chamados a investir mais na defesa. Mas vai demorar anos até esse investimento compensar a saída dos EUA.
Foram retirados da Alemanha cinco mil soldados americanos ali destacados. Tentando evitar problemas com o presidente dos EUA, o secretário-geral da NATO Mark Rutte disse que os aliados europeus da Aliança apoiam os EUA e compreendem a desilusão de Trump com os países que colocaram reservas à posição americana quanto à guerra com o Irão.
M. Rutte lembrou ainda que vários países da NATO, como Portugal, autorizaram a utilização de bases no seu território no âmbito da ofensiva dos EUA contra o Irão. Por outras palavras, não é este o momento de os americanos se afastarem da NATO.
Estas declarações mostram a crise que a NATO está a atravessar. Há fundadas dúvidas sobre o empenho dos EUA de Trump na manutenção da aliança atlântica, até há pouco a mais bem sucedida aliança defensiva da história.
Claro que os países europeus sabem que vão ter que investir muito mais na área da defesa. Mas compensar uma saída dos EUA da aliança levará anos a concretizar. Por isso os europeus se esforçam por retardar a eventual saída americana da NATO, tentando pelo menos adiar o afastamento dos EUA para quando a defesa dos países europeus for mais credível.
É certo que a combatividade dos ucranianos, que têm multiplicado os ataques a alvos na Rússia (no mês de Abril a Ucrânia fez 21 ataques contra infraestruturas energéticas russas), tornam menos provável um ataque russo eminente. Mas tardará anos até os países europeus terem construído uma defesa digna desse nome e menos dependente dos EUA.
Até lá, a NATO tem de viver num clima de risco, que aconselha a evitar discursos e declarações menos conscientes dessa situação.
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