A emigração dos enfermeiros
15 mai, 2026
Muitos enfermeiros desistem da profissão ou emigram. Infelizmente, não parecem existir condições para melhorar significativamente, em Portugal, a situação profissional dos enfermeiros.
A emigração dos enfermeiros portugueses diminuiu um pouco nos últimos dois anos, mas ainda leva à saída do país de cerca de 40% dos novos diplomados. Quer isto dizer que Portugal tem andado a formar milhares de enfermeiros que, depois, não prestam serviço no país, mas trabalham em países estrangeiros.
Este não é um problema apenas para Portugal. Uma grande parte dos enfermeiros formados na Índia, por exemplo, acaba por se fixar no Reino Unido, país mais rico que assim aproveita a formação indiana daqueles profissionais. É mais um caso de os pobres financiarem os ricos.
Alerta a Ordem dos Enfermeiros que o Serviço Nacional de Saúde necessita de mais 14 mil enfermeiros para evitar o colapso. Ora a única maneira decente de travar a saída para o estrangeiro dos enfermeiros será pagar melhor aos enfermeiros portugueses. Só que são enormes as diferenças salariais entre o que paga o Estado português e os salários dos enfermeiros nos países ricos. Como resolver?
Há uma falta mundial de enfermeiros – seriam necessários quase mais 6 milhões em todo o mundo para suprir as carências de enfermagem. Poderiam os enfermeiros, ou pelo menos uma parte deles – os mais qualificados – passar a desempenhar algumas tarefas que a lei portuguesa reserva para os médicos? Não parece esta uma solução fácil, apesar de no final de 2025 mais de 1,5 milhões de utentes continuarem sem médico de família. A Ordem dos Médicos opõe-se a transferir para os enfermeiros tarefas que são exclusivas dos seus filiados. Será que a Ordem dos Médicos rem razão?
Talvez uma reivindicação dos enfermeiros tenha algumas possibilidades de ser atendida. Refiro-me a retirar aos enfermeiros tarefas administrativas, que - diz a Ordem dos Enfermeiros – sobrecarregam entre nós os profissionais de enfermagem. Este é mais um ponto sobre o qual não me sei pronunciar.
Infelizmente, não parece haver muito mais a fazer para evitar que numerosos enfermeiros desistam da sua profissão ou emigrem, uma vez que trabalham em Portugal com remunerações insuficientes e com risco de “burnout”.
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