Proteger as vítimas do progresso
22 mai, 2026
O progresso tecnológico trouxe grandes benefícios económicos. Só que não se acautelou a situação dos prejudicados pelo progresso. Um problema que o avanço da inteligência artificial poderá tornar dramático.
No início do século XIX, em Inglaterra, operários da indústria têxtil destruíram as máquinas da fábrica onde trabalhavam porque a mecanização os colocava no desemprego. Ficaram conhecidos por Luditas, nome que hoje designa quem pretende travar o progresso tecnológico por recear o desemprego.
A verdade é que a revolução industrial criou muitos mais empregos do que eliminou. Por isso não parece ter sentido a oposição ao avanço tecnológico. Mas faz todo o sentido uma política económica e social que proteja as pessoas dos efeitos negativos do progresso.
A revolução industrial trouxe grandes benefícios económicos e sociais. Mas não foi capaz de proteger os sacrificados do progresso tecnológico. Em finais do século XIX registava-se um apreciável progresso económico nos países que se haviam industrializado. Só que a exploração dos operários fabris atingiu então níveis preocupantes. Tendo abandonado os campos e a agricultura, milhões de pessoas viviam na miséria, por vezes extrema. Era a crise social.
O problema, no nosso tempo, é o avanço da inteligência artificial. Certamente que esse avanço é positivo, desde que se encarem com seriedade os possíveis efeitos socialmente negativos dessa evolução, como sejam o forte desemprego daí decorrente, se nada for feito para o travar.
O semanário britânico The Economist é um conhecido defensor da economia capitalista. Mas não fecha os olhos às possíveis consequências negativas do avanço da inteligência artificial, nomeadamente em matéria de desemprego. É tema para a próxima crónica.
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