BCE: gerir as expectativas
12 jun, 2026
Os governadores do BCE subiram os juros. E provavelmente voltarão a subi-los ainda no corrente ano. É assim que o BCE se afirma como decidido a travar a inflação, ainda que com custos para o crescimento económico.
Como se previa, o Conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) subiu os juros 25 pontos base, para 2,25%. A economia europeia dá sinais de estagnação, o que a decisão do BCE poderá agravar. Mesmo assim, o BCE agora não hesitou, desagradando a populistas como Trump.
Há quem diga que a inflação atual na zona euro rapidamente baixaria se o conflito no Médio Oriente chegasse ao fim. Só que, infelizmente, não se vislumbra a paz por aquelas paragens.
O que está em jogo no combate à inflação do BCE é uma convincente gestão das expectativas dos consumidores e das empresas da zona euro. Se existirem sólidas expectativas de que para o BCE combater a inflação é a prioridade, será meio caminho andado para travar a alta de preços.
Por outras palavras, o BCE procura gerir as expectativas dos consumidores e dos gestores na Europa.
Em 2022 o BCE hesitou e não subiu os juros. Daí resultou uma alta de preços superior a 10%, obrigando depois o BCE a subir os juros até aos 4%.
Os governadores do BCE não quiseram, agora, repetir o erro de há três anos. É provável que o BCE suba de novo os juros ainda no corrente ano, talvez duas vezes. É como tomar um medicamento que faz mal ao fígado mas é indispensável para manter a vida.
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