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O que correu mal a Portugal e o que se pode mudar para o Uzbequistão?

19 jun, 2026 • Francisco Sousa* • Opinião de Francisco Sousa


A análise de Francisco Sousa, comentador Bola Branca, em quatro momentos: o "quadrado mágico" e como (não) o fazer resultar, a insistência pelos flancos, o momento defensivo em todas as suas dimensões e soluções para o jogo frente ao Uzbequistão

Não foi uma estreia convincente, longe disso, para a seleção portuguesa no Mundial. A turma de Roberto Martínez até entrou bem no jogo, fez o que parecia mais difícil em teoria — marcar cedo — mas a partir do meio da primeira parte, deixou de ter o jogo verdadeiramente sob controlo.

Olhamos para os pontos fulcrais desta frustrante igualdade e propomos algumas soluções, já a pensar no Uzbequistão.

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O "quadrado mágico" e como (não) o fazer resultar

Era grande a expectativa para perceber o encaixe de Vitinha, João Neves, Bernardo Silva e Bruno Fernandes no mesmo onze e os primeiros sinais foram promissores.

Portugal iniciou o jogo de forma dominadora, com ocupação racional de espaços e proximidade entre os jogadores. Numa ação em que variou da esquerda à direita, Cancelo tentou o cruzamento, a segunda bola sobrou para Vitinha e daí surgiu a combinação que resultou no 1-0, com Pedro Neto a cruzar e João Neves, em movimento tantas vezes visto no PSG, a atacar a área para finalizar (de cabeça). Desde esse momento, a posse foi ficando mais lenta, previsível, com poucas relações proveitosas entre os mais criativos e parca capacidade de rodar o centro do jogo depois de gerar superioridades do lado oposto.

Bernardo é hoje mais um médio e só se pode conceber a sua relevância vendo o jogo de frente e contribuindo para fazer a bola mover por dentro. Talvez não tivesse sido má ideia repetir o plano inicial frente à Nigéria, com um Trincão que busca melhor a largura e tem outra capacidade para arriscar no remate — desde logo no último terço.

A insistência pelos flancos

Não se percebe que Gonçalo Ramos apenas tenha sido alternativa ao minuto 83, juntando-se ao indiscutível (na cabeça e atos de Martínez) Cristiano Ronaldo, tendo em conta a sistemática busca por um jogo flanqueado, preenchido a cruzamentos para a área.

Perante uma equipa maioritariamente defensiva, embora nem sempre com a última linha baixa, Trincão e João Félix poderiam ter tido um encaixe mais produtivo a partir do banco que Rafael Leão (que necessita de mais espaços) e até que Ramos, que fazia sentido para o que Martínez pedia (mais cedo) mas que não tem os atributos de João Félix nos movimentos de rutura e a espontaneidade de remate, a partir de zonas mais diversas.

A resposta de Chico Conceição no segundo tempo e alguns fogachos de Pedro Neto, a espaços, foram sinais de luz mas Portugal pede mais e melhor jogo interior, até para reduzir a lógica exagerada de cruzamentos - habitualmente sem correspondência.

Como fazer para rematar mais?

A solução é simples: preencher a área com mais gente, como se viu no 1-0, investir em movimentos de trás para a frente de um dos laterais (num ou noutro momento, Nuno Mendes fez isso) e ativar rematadores como Bruno Fernandes, Trincão, Félix ou até Vitinha perto da entrada da área, a partir de cruzamentos ou passes recuados.

O momento defensivo, em todas as suas dimensões

Portugal sofreu defensivamente neste jogo. Na bola parada, chegou o empate congolês, sendo que além das responsabilidades na marcação ao segundo poste, com excessiva atenção à bola, que deixou Wissa à vontade num 3 vs. 2, podia ter existido outra contundência defensiva de Cancelo a tapar o cruzamento.

A transição defensiva, numa equipa que não é reconhecida pela capacidade de ganhar bola em zonas altas, foi sofrível e permitiu saídas verticais aos médios e atacantes contrários e até alguns momentos de combinação dentro-fora-dentro. E mesmo a fechar em zonas mais baixas, Portugal não é uma seleção que sinta conforto, algo ainda mais exponenciado pela ausência do "patrão" da defesa pós-Pepe, Rúben Dias.

Soluções para o jogo frente ao Uzbequistão

Sem a dimensão física, global e na bola parada, da RD Congo, a seleção uzbeque parte também de uma defesa a 5 e apesar de poder fazer uma pressão mais subida nalguns momentos, é expectável que siga o caminho de um jogo cauteloso, apesar da derrota inicial. Martínez deverá, muito provavelmente, trocar Bernardo Silva por Francisco Conceição (além do expectável regresso de Rúben Dias, talvez até no lugar de um errático Renato Veiga).

A equipa lusa terá de saber trabalhar os ataques com paciência, ter mais arrojo e sequência nas ações de 1x1 e essencialmente preencher melhor as zonas de finalização. João Félix, Trincão ou Gonçalo Ramos pedem claramente um peso diferente nesta equipa e talvez entrem na equação do próximo jogo, nem que seja a partir do banco.

*comentador de futebol na Renascença

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