Graça Franco
Novo Banco. “Já gastou quase tanto como a bazuca que vem aí para os próximos quatro anos”
04 mai, 2021 • Olímpia Mairos
Ao abrigo do acordo de venda do Novo Banco, o Estado pode, afinal, ser chamado a injetar mais mil e 600 milhões de euros.
A comentadora d’As Três da Manhã considera que a reestruturação do Novo Banco acabará sempre nas contas públicas.
O velho Novo Banco, continua a absorver milhões, sete anos após a derrocada do BES. A auditoria do Tribunal de Contas, ontem conhecida, diz que ao abrigo do acordo de venda, o Estado pode, afinal, ser chamado a injetar mais mil e 600 milhões de euros.
“Temos que pedir contas a Mário Centeno, ministro, que vendeu o banco em 2017, nessas condições, não vale dizer que foi Passos Coelho que não vendeu em 2015, que o banco se desvalorizou dessa maneira, porque, de facto, em 2017 vemos que ele estava muito mal e esta venda também não foi um grande negócio. Com ela já gastamos quase tanto como a basuca que vem aí para os próximos 4 anos”, afirma Graça Franco.
“E depois, é o Mário Centeno governador, essas duas personalidades que ontem nos disse que, afinal, era a comissão, era o Banco Central Europeu, era tudo menos ele que tinha culpa da supervisão”, acrescenta a comentadora.
O Tribunal de Contas revelou ainda que o Novo Banco está a usar o dinheiro do Fundo de Resolução, não apenas para as perdas que estavam acordadas nos chamados “ativos protegidos”, mas, também, para tapar os défices da própria atividade geral.
Graça Franco afirma que neste aspeto, Mário Centeno tem razão, que o Banco de Portugal tinha uma interpretação do acordo que o Tribunal de contas aparentemente não entendeu bem.
“O único problema é que nunca nos disseram nada e continuam a mentir. Disseram-nos que nem um cêntimo, disseram que nunca seria o contribuinte, disseram agora que vai ser sempre reembolsado o empréstimo do fundo de resolução, mas a verdade é que acabará nas contas publicas”, conclui.
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