Henrique Raposo
Contado Ninguém Acredita. A escolha do Papa "é uma escolha política"
09 mai, 2025 • Sérgio Costa , Olímpia Mairos
Henrique Raposo comenta a escolha do novo Papa.
O comentador da Renascença Henrique Raposo diz que há “uma clara mensagem política” na eleição do novo Papa e é preciso que “as pessoas da Igreja não tenham problemas com isso”.
“Claro que há uma lição política a tirar disso, claro que os cardeais estão a enviar uma mensagem política ao mundo”, reforça.
Para Raposo, “há um contrapoder americano ao Trumpismo, ao Donald Trump” e os cardeias escolheram um cardeal americano que, “ainda há pouco tempo puxou as orelhas ao vice-presidente americano, J.D. Vance, nas questões da imigração”.
“Mas é mais do que isso, é no amor cristão”, assinala, acrescentando que “o Trumpismo diz que só devemos amar os nossos, ou seja, os americanos, e não devemos amar os outros. E este cardeal, quando era só Robert Prevost e não o Leão XIV, diz: 'não, meu amigo, estás completamente enganado. Antes de seres americano, és católico, ou seja, tens um amor universalista para dar'”.
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Raposo observa que “é uma mensagem política e moral”, considerando que “é uma coisa muito importante, porque recoloca o Vaticano, a Igreja, a fé no seu papel fundamental”.
No seu espaço de opinião n’As Três da Manhã – Contado Ninguém Acredita –, Henrique Raposo lembra que a Igreja, há 100 anos, “colou-se à direita, a boa parte das ditaduras, direta ou indiretamente, e manchou o catolicismo”, destacando que “neste momento da história, onde parece que estamos a voltar a esse ciclo, é muito bom, tranquilizador, termos alguém no Vaticano que tem uma mensagem claramente de abertura e claramente antitrumpista”.
“Não é só uma lição política, é uma lição moral. O papel da fé e do Vaticano é ser Jerusalém por cima de Atenas, ser um contrapoder crítico do poder político, sobretudo quando ele parece ser tão agressivo, como aquilo que temos em Washington, neste momento”, sublinha.
Questionado sobre se há essa expetativa, Raposo aponta para a escolha do nome do novo Papa, lembrando que “Leão XIII foi um Papa fundamental que tentou articular o catolicismo com modernidade, no final do século XIX, início do século XX, mas não foi ouvido”.
“Só foi vingado, digamos assim, com a democracia cristã pós-segunda guerra. Ou seja, a democracia cristã nasce com o Leão XIII”, explica, concluindo que “alguém que aparece, que se chama Leão XIV, está a dar um sinal claro: uma democracia cristã entre um capitalismo desbravado do Musk e um populismo também destravado do populismo que hoje associamos ao Trumpismo, e que há cem anos era o comunismo”.
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