Contado Ninguém Acredita. “Nunca foi tão seguro andar de avião”
23 jun, 2025 • Sérgio Costa , Olímpia Mairos
Henrique Raposo alerta que o mediatismo está a alterar a perceção da realidade.
O comentador da Renascença Henrique Raposo diz que “nunca foi tão seguro andar de avião”, apesar de nos últimos anos termos tido imensas imagens nas televisões de acidentes aéreos.
Raposo lembra que “somos a primeira geração da humanidade a ter uma câmara em cada esquina” e explica que “se há um avião a cair, imediatamente há alguém a apanhar essa imagem” e “isso cria emoção, dramatismo”.
“Só que sucede que nunca foi tão seguro andar de avião”, assinala o comentador, acrescentando que “nos anos 70, o número de mortos andava na casa dos 2.500 por ano, agora é 200”.
“Já nos anos 80, acidentes aéreos – pode ser um desastre mortal ou um problema qualquer que implica uma aterragem rápida –, estamos a falar de 3.500 por ano, agora está na casa dos 600. Uma redução brutal”, completa.
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No seu espaço de opinião n’As Três da Manhã – Contado Ninguém Acredita –, Raposo refere que ainda mais interessante são os desastres, as calamidades, os desastres naturais, cheias, incêndios, terramotos.
“Novamente, porque há uma câmara em cada esquina, há imagens dramáticas que apelam ao coração. Obviamente aquelas cheias em Valência há pouco tempo, isso cruza-se muito bem com a grande narrativa das alterações climáticas. Como dizem as minhas filhas: a natureza está zangada e está a vingar-se de nós, etc., etc., etc., Só que nunca tivemos um número tão baixo de mortos em desastres naturais”.
Questionado sobre se é o mediatismo que está a alterar a perceção da realidade, Raposo diz que “há um paradoxo gerado pelos mídias, sobretudo pelas televisões”.
“Tu neste momento tens 50.000 pessoas a morrer por ano num desastre natural, em desastres naturais. Para teres uma ideia, nos anos 60 foram 400.000, nos anos 20, 600.000. É uma diferença brutal”, observa.
Por isso, Raposo aponta os anos 60 como “a década charneira” e que “tem a ver com a televisão”.
“Tu tens um meio muito rápido de chegar às pessoas e de avisá-las que algo vai acontecer. Só que, hoje em dia, o paradoxo é as televisões pegam nos poucos desastres que há, nas poucas mortes que há e que amplificam brutalmente um efeito catastrófico, apocalítico, e nós vivemos neste capacete, às vezes, asfixiante, gerado pelas televisões”, conclui.









