17 out, 2025 • Sérgio Costa , João Malheiro
Henrique Raposo considera que Portugal "é um país de terceiro mundo" no que toca ao abandono dos mais velhos e às mortes solitárias.
Referindo uma reportagem da Renascença, desta sexta-feira, sobre os funerais solitários em Lisboa, o comentador diz que o país tem "um enorme problema neste campo".
"Temos a mania de classificar o mundo em camadas: Há o primeiro mundo, o segundo, o terceiro. Nós aqui somos o terceiro mundo. A maneira como um povo morre define a sua espessura moral", critica.
Raposo explica que "a morte e a velhice incomodam muito a sociedade ocidental", apontando que se costuma usar "um entulho semântico" - como as expressões "sénior" ou "terceira idade" - "que nos impede de falar a sério sobre o assunto".
O comentador sublinha "o paradoxo da medicina" que leva a que a vida do corpo se prolonge muito, "mas a cabeça depois não acompanha". E a política acaba por não conseguir acompanhar a velocidade desta evolução.
"Ficam dependentes, quase como bebés crescidos. Cria uma pressão incomensurável sobre as famílias", lamenta.
"É muito fácil ser moralista, mas isto é um tabu da nossa geração, porque não sabe o que fazer aos pais. A política é um clube de homens e acha que isto é um assunto para mulheres", sublinha.
Por isso, Henrique Raposo pede respostas do Estado, da sociedade e da Igreja, para este problema.
Dados da OCDE
O documento alerta também que a solidão está assoc(...)