Henrique Raposo
O Chega não entra no Norte como no Sul porque "o Estado funciona muito melhor no Norte"
20 out, 2025 • Redação
"A grande explicação para o sucesso dos 'chegos' no Sul" passa pela alta presença de imigrantes, mas "no Norte também há". A diferença é que "o Estado, funcionando melhor", permite uma "articulação mais fácil entre quem chega e quem recebe".
O comentador da Renascença Henrique Raposo considera que "o Estado funciona muito melhor no Norte", sendo este um dos fatores que explica a elevada penetração do Chega a Sul, em contraponto com a que alcança a Norte.
"Vocês, aqui, na Renascença, tiveram uma peça maravilhosa, no sentido analítico, se não me engano, em articulação com a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que dizia assim: uma pessoa muito pobre do Norte, apesar de ser muito pobre, tem um acesso muito mais rápido à saúde do que qualquer pessoa aqui da Grande Lisboa, seja rica ou pobre."
"Faço esta pergunta há muito tempo: porque é que o Chega não consegue entrar no Norte como ele consegue entrar no Sul? Não vejo isso debatido de maneira consistente", acrescenta.
Na sua argumentação, Henrique Raposo socorre-se dos mais recentes números eleitorais: "Reparem, em Faro tiveram 20%, na Grande Lisboa 15%, Setúbal 20% e a diferença para o Norte é esmagadora, Braga 8%, Bragança 4%, Viseu 7%, Aveiro 9%, Porto 10%. É cultural sim, mas antes está o Estado, o Estado funciona muito melhor no Norte."
"O Estado, na saúde, que é a principal urgência das pessoas, funciona melhor no Porto, Braga, Aveiro, até em Trás-os-Montes... Em Viseu, Aveiro.... As escolas, idem... A falta de pessoas, a falta de funcionários não ataca as escolas no Norte como ataca na Grande Lisboa e no Sul, os resultados das escolas públicas são sempre melhores do que as escolas aqui em baixo. Uma escola em Viseu, uma escola em Famalicão têm sempre melhores resultados que uma escola em Faro", afiança.
Raposo contesta "a grande explicação para o sucesso dos 'chegos' no Sul", que é a da existência de muitos imigrantes, porque "no Norte também há". A diferença é que "o Estado, funcionando melhor", permite uma "articulação mais fácil entre quem chega e quem recebe"
"A vida é mais fácil. Depois, há um ponto fundamental, que é mais literário do que estatístico, mas que é importante: a sociedade no Norte é mais acolhedora", sustenta o comentador.
"Há um tríptico clássico do Norte que é a Igreja, o clube e a empresa. Criam comunidades, vilas, bairros, ruas mais acolhedoras, as pessoas são mais simpáticas para quem chega e quem chega consegue entregar-se mais facilmente, ao contrário de uma solidão típica aqui de baixo. O Cândido Costa é um sucesso absolutamente maravilhoso, é o lado luminoso do 'tuga' e o que ele consegue fazer no Canal 11, realmente só é possível acima de Coimbra."
"Aquele programa que ele tem de visitar o pequeno clube do bairro, onde se vê os laços de vizinhança, isso só é possível acima de Coimbra e nós, aqui em baixo, nunca tivemos isso. Isto é importante,. Nesta solidão, o Chega apanha muita gente", remata.









