17 nov, 2025 • André Rodrigues , João Malheiro
Henrique Raposo aponta que o Ministério da Educação e a escola pública "falharam por completo nos últimos 50 anos".
Para o comentador da Renascença, "é o maior fracasso da democracia portuguesa", apontando que uma criança que nasça em um bairro pobre "dificilmente sai da pobreza por causa da escola e dos estudos".
A propósito da notícia que dá conta que a Fundação Gulbenkian vai levar explicadores aos bairros mais desfavorecidos de Lisboa, para apoiar famílias de alunos que não têm meios, Henrique Raposo felicita que uma instituição como esta "venha a terreiro e assume uma liderança que o Estado não consegue".
O comentador recorda uma história pessoal, de um colega que tinha na escola, "um génio" que falava alemão e discutia filosofia "como se fosse aluno da Faculdade". "A última vez que vi o João, era um arrumador de carros. Ele teve azar e eu tive sorte", lamenta.
Henrique Raposo pede que se reduzam "as probabilidades de azar para estes miúdos" e diz que "aceitamos que o Porto, o Benfica e o Sporting sejam drones que andam pelo território nacional para retirar miúdos com talento para a bola", mas rejeitam que sejam sinalizados alunos brilhantes em bairros complicados.
"O talento nacional não é só o futebol. É fácil sinalizar, é fácil instituições com a Gulbenkian ou os colégios darem bolsas a estes miúdos. Mas depois há imensas resistências. Não podemos salvar toda a gente, mas podemos salvar um a um. E depois estes miúdos conseguem arrastar os outros", apela.