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Violência no namoro. “Continuamos a educar as raparigas a ter demasiada deferência pelo homem”
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Henrique Raposo

Violência no namoro. “Continuamos a educar as raparigas para terem demasiada deferência pelo homem”

16 mar, 2026 • Olímpia Mairos , com Sérgio Costa


Comentador da Renascença Henrique Raposo diz que a violência no namoro tem raízes culturais e começa muitas vezes ainda na infância.

O comentador da Renascença Henrique Raposo considera que o problema da violência no namoro tem origem ainda na infância, em espaços que deveriam ser de aprendizagem e igualdade.

No comentário ao podcast “Romper o Silêncio”, da Renascença e da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas, dedicado ao tema da violência no namoro, Raposo destaca uma ideia referida pela juíza Maria Perquilhas, considerando que os comportamentos abusivos começam a formar-se muito cedo.

“O homem tóxico ou abusador começa a sua ‘carreira’ na escola — no pátio da escola, à porta da escola, nas ruas ao pé da escola”, sublinha.

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Para o comentador da Renascença, existe um paradoxo: "O espaço que devia ser de igualdade e educação torna-se, paradoxalmente, o espaço onde começa o seu treino machista e misógino.”

Henrique Raposo sublinha também que estes comportamentos não se limitam ao mundo digital e são visíveis no quotidiano.

“Nós, às vezes, dizemos que isto só se passa na internet. Não. Está na rua, está à porta das escolas, está à porta dos cafés”, diz.

O cronista lembra ainda que a adolescência é uma fase em que a educação tem um papel decisivo na formação de valores: “Os miúdos estão naquela idade a que chamamos a idade da parvoíce. A natureza humana não é grande coisa — nós temos de educá-la.”

Nesta edição do podcast "Romper o Silêncio", Catarina Furtado alerta para o impacto da desinformação entre os jovens, defendendo que está a afetar a forma como encaram relações e conflitos.

A conhecida apresentadora e ativista considera ainda que os jovens estão hoje menos preparados para lidar com a adversidade.

Já a juíza Maria Perquilhas alerta para o facto de alguns rapazes perderem desde muito novos referências básicas de respeito pelo outro, o que pode contribuir para normalizar comportamentos de controlo nas relações.

Questionado sobre o papel das famílias, Henrique Raposo considera que o problema tem uma forte dimensão cultural, que ainda coloca os homens numa posição de autoridade.

“Continuamos a educar as raparigas para terem uma deferência demasiado alta pelo homem, pela figura do pai, do avô”, afirma, realçando que “há culturalmente a ideia de que o pai ou o avô têm sempre a última palavra numa mesa de jantar familiar”.

Para Raposo, desconstruir essa hierarquia é essencial para mudar mentalidades.

“Enquanto não instigarmos rapazes e raparigas a perceber que o pai e o avô podem ser criticados — sobretudo por elas, pelas filhas e pelas netas — não vamos criar essa cultura”, sublinha, alertando que, se tal não for feito, muitas jovens podem continuar a confundir controlo com demonstrações de afeto.

“Enquanto isso não for feito, muitas raparigas, como diz a juíza, vão achar que controlo é igual a amor”, remata.

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  • Ele há cada
    16 mar, 2026 gajo... 11:56
    Sim, é melhor educá-las para serem agressivas verbalmente, e juntarem à violência psicológica que já praticam, a violência física, claro fazendo Leis que impeçam o Homem de ripostar nos mesmos termos. Este Henrique Cardoso é mesmo pago, para dizer estas coisas?