Henrique Raposo
Henrique Raposo deteta machismo e desvalorização da violência doméstica na PSP
30 mar, 2026 • Olímpia Mairos , com André Rodrigues
O comentador destaca que “para boa parte dos homens, este assunto não é importante”.
O comentador da Renascença Henrique Raposo alerta para a existência de um problema de cultura institucional nas forças de segurança no tratamento de casos de violência doméstica, considerando que muitos profissionais “não gostam” desta área e evitam lidar com ela.
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O cronista comenta as declarações feitas no âmbito do podcast “Romper o Silêncio”“Romper o Silêncio”, uma parceria da Renascença com a Associação Portuguesa de Mulheres Juristas (APMJ), onde foram ouvidas a procuradora Fernanda Alves e a subintendente da PSP na pré-reforma Aurora Dantier.
“A expressão que ela usa é que não gostam. Não gostam desta área, a maioria foge da violência doméstica a sete pés”, recorda Henrique Raposo, sublinhando a importância do testemunho de Aurora Dantier por revelar o funcionamento interno de uma esquadra perante este tipo de ocorrências.
Romper o Silêncio
Falta de experiência, de estímulos e de formação levam maioria dos agentes da PSP a "fugir a sete pés dos casos" de violência doméstica
No podcast Romper o Silêncio, a procuradora Fernan(...)
Para o comentador, apesar de hoje as queixas entrarem formalmente no sistema, persistem falhas na sua investigação e acompanhamento. “Antigamente os polícias não recebiam a queixa. Agora, a queixa entra no sistema, mas não é tratada porque não se gosta do tema”, afirmou.
Henrique Raposo considera que existe uma divisão geracional dentro das forças policiais: por um lado, agentes mais experientes que evitam lidar com estes casos; por outro, elementos mais jovens, frequentemente sem preparação suficiente, que acabam por assumir processos complexos. “Os mais velhos fogem do assunto e os mais novos são atirados para a boca do lobo”, diz.
O comentador sublinha que a violência doméstica é um crime particularmente difícil de investigar, exigindo formação específica e sensibilidade no terreno, uma vez que os sinais nem sempre são evidentes e a recolha de prova é exigente.
No podcast, tanto Aurora Dantier como Fernanda Alves apontaram também a dureza do trabalho nesta área, a falta de estímulos para os profissionais e a presença de agentes muito jovens e sem experiência, muitas vezes sem formação consolidada. Foi ainda destacado que, em muitos casos, as vítimas acabam por apagar provas sem intenção, enquanto os agressores nem sempre são devidamente acompanhados.
Para Henrique Raposo, o problema poderá estar também ligado a uma desvalorização do tema, numa estrutura ainda maioritariamente masculina. “Para boa parte dos homens, este assunto não é importante”, afirma.
Face a este cenário, o comentador defende que o novo ministro da Administração Interna, Luís Neves, deve prestar atenção às críticas deixadas no podcast e promover mudanças. “Há aqui um problema de cultura institucional que tem de ser resolvido”, conclui.
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