Henrique Raposo
"A obsessão com a limpeza dos terrenos não tem um efeito contrário?"
06 jul, 2026 • Sérgio Costa , Jaime Dantas
Depois de ter consultado pastores e associações florestais, o comentador da Renascença conclui que "ao limpar tanto os terrenos estes ficam secos, não retêm água, e colocam as árvores em stress hídrico".
Henrique Raposo questiona, esta segunda-feira, se " a obsessão com a limpeza dos terrenos não tem um efeito contrário".
A dúvida, expressa no espaço de comentário n´As Três da Manhã da Renascença, "nasce depois de ler o que têm dito os pastores, criadores de gado e projetos como o Mira Selvagem, na zona do Mira, o Rewilding Portugal, na zona do Foscoa", sustenta o escritor.
"Ao limparmos tanto os terrenos, deixamos os terrenos secos, não retêm água, colocam as árvores em stress hídrico", explica.
O comentador establece ainda a diferença entre a limpeza levada a cabo naturalmente pelo gado e a com recurso a maquinaria.
"Uma ovelha ou uma vaca come a parte de cima da vegetação. Já uma máquina que faz gradagem, que no fundo é um arado com rodas dentadas, levanta o terreno todo, tudo fica seco e morto", desenvolve.
Noutro ponto, Henrique raposo mostra indignação com o facto de "haver tantos incendiários que não são presos", comparando o cenário com as penas aplicadas em casos de violência domésrica, em que "homens que agredem as mulheres, ou não são presos, ou são condenados sempre com pena de suspensa".
Citando dados da SIC, o comentador ressalta que "de 100 detidos por fogo posto em 2025, nem 30 estavam presos".
"Não percebo a ausência de debate sobre o assunto, porque eu acho que nós queremos encaixar o que se passa na narrativa das alterações climáticas", termina.
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