27 fev, 2025 • Sérgio Costa , Olímpia Mairos
O comentador da Renascença João Duque diz que a visita do Presidente francês a Portugal está inserida num quadro de resposta europeia a Donald Trump.
Por isso, espera que a visita “signifique alguma orientação para a utilização da Europa como espaço para serviço” e para estimular “a dinâmica europeia que precisa de substituir aquilo que se teme que venha a acontecer com as exportações para os Estados Unidos”.
Segundo o economista, “é preciso pensarmos como é que internamente nós podemos pedir aos europeus para servirem uns aos outros e criarem uma dinâmica de procura interna que possa compensar aquilo que pode vir aí”.
João Duque lembra que o Presidente Trump “acabou de anunciar a sua expectativa de subir para 25% as tarifas a impor a todos os produtos exportados da Europa para os Estados Unidos, até afirmando que a Europa constituiu-se para fazer frente aos Estados Unidos e até reconhecendo que fez um bom percurso nesse sentido”.
Tendo em conta que Trump “olha para a Europa como um bloco ameaçador” e não “como um aliado, um amigo, mas como um concorrente forte”, o comentador entende que “é preciso arranjar alternativas”.
“E uma alternativa é criar dinâmicas internas. Usar a possibilidade de uma dinâmica que nós não gostávamos, mas que, enfim, parece que é inevitável: aumento de esforço no investimento e nas despesas com a Defesa; recorrermos ao mercado interno, acho isso extremamente interessante”, sublinha.
Questionado sobre se a estratégia passa também pelo turismo, Duque sugere “uma retaliação”, ou seja, “continuarmos a ser muito atrativos para os turistas americanos para os obrigar a importar serviços da Europa”.
“É que os americanos a virem para a Europa vão importar serviços da Europa”, assinala.
No seu espaço de comentário n’As Três da Manhã, João Duque referiu-se ainda à notícia dos 200 hotéis que estão previstos para Lisboa e Porto nos próximos tempos, admitindo que “assusta um bocadinho”.
Ainda assim, Duque destaca o lado positivo desta possibilidade “que é desvincular do aluguer de curta duração muitos espaços que podem ser dedicados ao arrendamento aos nacionais e, portanto, de alguma forma, substituir um serviço por outro”.
“Normalmente, o serviço de hotelaria é de valor acrescentado maior do que o serviço de alojamento local de curta duração. E, portanto, aí até temos uma vantagem de criação de postos de trabalho com mais valor acrescentado por unidade”, remata.