Opinião
João Duque. "Faz sentido pensar sobre a utilização e os limites da greve"
17 jun, 2025 • Sérgio Costa , João Malheiro
Para o economista, quando a lei da greve é utilizada "a serviço de outros fins, acabamos por desvirtuar aquilo que é o verdadeiro serviço".
João Duque considera que "faz sentido pensar sobre a utilização e os limites da greve", numa altura em que o Governo apresenta o seu programa no Parlamento, esta terça-feira, que prevê discutir alterações à lei.
No seu espaço habitual de comentário, o economista diz que "os portugueses em geral pensam nisso, não para limitar os direitos dos trabalhadores, mas como esses direitos acabam por impactar a vida".
O comentador da Renascença dá o exemplo das semanas de campanha eleitoral em que houve greve contínua na CP, "num período exato em que o Governo nem tinha poder de negociação" para falar de greves "que tem outros fins que não os fins dos trabalhadores que são justos".
"Ou, por exemplo, o plenário de trabalhadores que é feito a determinada hora do dia para prejudicar a utilização de um transporte público. Gostava de ver as atas para ver os conteúdos e a duração do próprio plenário para perceber a profundidade dos temas debatidos", ironiza.
Para João Duque, quando a lei da greve é utilizada "a serviço de outros fins, acabamos por desvirtuar aquilo que é o verdadeiro serviço".
"Há determinadas atividades que, por muito que nos custe, são diferenciadas, pelo serviço que prestam à população. Quando estamos inseridos numa sociedade temos direitos e responsabilidades. Há imposições que a lei nos propõe de ações de não fazer e fazer. Nesse sentido, o que devemos fazer é repensar a lei da greve", conclui.
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