"Histórica ligação a Macau" pode ajudar Portugal a entrar no mercado chinês
09 set, 2025 • André Rodrigues , Daniela Espírito Santo
Economista João Duque vê visita de Montenegro à China como oportunidade para "reequilibrar o comércio, não à custa de tarifas, mas à custa daquilo que é o valor dos produtos portugueses".
A viagem do primeiro-ministro à China pode abrir as portas do mercado chinês às empresas portuguesas, numa altura de tarifas norte-americanas e de debate de sanções secundárias da União Europeia a Xi Jinping.
De regresso ao espaço de comentário n'As Três da Manhã, João Duque admite que Portugal pode ganhar se usar a sua "histórica ligação à China através de Macau", mas também pela sua "pequenez". Para o economista, o facto de sermos "muito pequeninos" enquanto país, deu-nos uma "forma diferente de estar, historicamente, na diplomacia".
"Esta nossa forma de estar tem muitas desvantagens, mas tem muitas vantagens também", assegura o especialista, que vê na nossa "relação cultural com os povos" e na dimensão do país num instrumento que pode ser usado "em nosso benefício".
"Estamos a sofrer as consequências de uma imposição de tarifas na relação com os EUA, que é o nosso maior mercado de exportação para fora da União Europeia. Portanto, há que tentar arranjar mercados alternativos", relembra João Duque, que acredita que, pela "sua dimensão" e "capacidade de aquisição", o mercado chinês pode ser "um mercado interessante" e "uma excelente oportunidade".
Esta "excelente oportunidade" também poderá ser benéfica para o mercado chinês, que poderá utilizar Portugal para "como forma de entrar na União Europeia", graças à "nossa forma de estar um bocadinho diferente da UE". "Temos atrás de nós um império e os PALOP's", lembra o especialista, que entende ser possível que Portugal seja visto como "um país de exceção dentro da União".
Questionado pelo jornalista André Rodrigues sobre quais poderiam ser os setores mais estratégicos para a economia nacional com essa entrada na China, João Duque pensa "imediatamente" em "produtos de consumo" como "o vinho", um dos mais "prejudicados na exportação com os EUA" e que poderá "ser usado para abrir mais portas" e "estreitar as relações comerciais entre Portugal e China".
"Importamos o dobro daquilo que exportamos para a China e, portanto, temos aqui um espaço para reequilibrar o comércio, não à custa de tarifas, mas à custa daquilo que é o valor dos produtos portugueses", vaticina o economista.
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