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Falta de investimento púbico é crónico e “tem de dar problemas”

João Duque

Uma carruagem à solta. Falta de investimento púbico é crónico e "tem de dar problemas"

14 out, 2025 • Sérgio Costa , Olímpia Mairos


O comentador analisa o incidente com um comboio intercidades que perdeu uma carruagem durante a ligação Lisboa–Faro.

O comentador da Renascença João Duque considera que a falta de investimento público é um problema crónico em Portugal, com consequências visíveis em episódios como o recente incidente com um comboio intercidades que perdeu uma carruagem durante a ligação Lisboa–Faro.

“Do ponto de vista estrutural, não me surpreende. Se olharmos para o investimento público ao longo dos anos, naturalmente que isto um dia havia de estourar. Está a estourar pelos engates”.

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O economista lembra que já tivemos problemas no elevador, agora nos comboios — começa a tornar-se uma área de perigosa incidência de falhas.

“Foi no elevador, foi agora no comboio, por acaso está a começar a ser um sítio de perigosa incidência de problemas”, observa.

Duque sublinha que, depois de tantos anos de subinvestimento na área pública, é difícil evitar situações como esta. Recorda que, em 2024, Portugal foi um dos países da União Europeia que menos investiu em percentagem do PIB no setor público.

“Isto tinha de acontecer mais cedo ou mais tarde. Durante o período da Troika havia a justificação dos cortes no investimento, mas nos quatro anos seguintes o Governo de António Costa investiu ainda menos do que se investia durante a Troika”, destaca.

Questionado sobre os 3,6 mil milhões de euros que o então ministro Pedro Nuno Santos afirmou ter investido na CP, João Duque explica que grande parte desse valor foi destinada ao pagamento de dívida.

“Aliás, o atual ministro das Infraestruturas já admitiu que vamos abrir uma nova linha Lisboa–Porto para colocar lá carruagens antigas. Isto não acontece em lado nenhum — só em Portugal — porque simplesmente não se investe”, critica.

O economista defende que é urgente definir prioridades claras sobre o destino do dinheiro público.

“As opções têm sido canalizar recursos para despesa corrente, sobretudo para recuperação de rendimentos após a Troika, de modo a satisfazer as pessoas. Mas isso não resolve os problemas estruturais”, explica.

Por fim, João Duque lembra que a média de investimento público nos últimos oito anos foi cerca de metade do registado em 2024, e adverte para os riscos de prolongar esta situação.

“Um ou dois anos de baixo investimento público” podem justificar-se, diz, acrescentando que uma década inteira é insustentável e “tem que dar problemas destes”.

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