João Duque
É difícil a Europa resolver o problema da dependência do exterior
30 out, 2025 • Olímpia Mairos , com Sérgio Costa
João Duque olha para o alerta do setor automóvel para paralisações iminentes na produção devido à falta de chips.
O comentador da Renascença João Duque diz que a Europa enfrenta grandes dificuldades para resolver a sua dependência do exterior.
O alerta surge depois de a indústria europeia avisar que poderá suspender a produção devido à falta de microchips, vitais para a indústria automóvel, provenientes da empresa Nexperia, sediada nos Países Baixos, mas controlada por capital chinês.
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Grande parte da produção mundial de chips está concentrada em Taiwan, o que aumenta a vulnerabilidade europeia perante tensões geopolíticas entre China e Taiwan.
Duque explica que não é fácil substituir fornecedores ou criar produção interna, pois o fabrico de chips requer tempo, investimento e matérias-primas — que também viriam do exterior.
“Não se estala os dedos e não aparecem os chips porque são grandes quantidades e são grandes negócios e isso obriga, digamos assim, a formatação do tipo de chip para aquilo que se precisa, o design do chip. Não é fácil fazer a mudança de um momento para o outro e também se percebeu agora há pouco tempo que de facto nós estamos muito dependentes, mas não é só disto”, destaca.
Setor automóvel alerta para paralisações iminentes na produção
Serão necessários "vários meses" para desenvolver (...)
A dependência europeia já ficou evidente com o petróleo russo, repete-se agora com os componentes eletrónicos da China.
A solução, segundo Duque, passa por diversificar as fontes de fornecimento e fortalecer relações comerciais com vários países, para reduzir o risco de ficar dependente de um único fornecedor.
“Nós estamos bastante dependentes e é preciso criar relações fortes, não só assentes em relações políticas, mas também comerciais, com vários mercados e a única forma é diversificar o risco para não se ficar nas mãos apenas de um fornecedor”, defende.
O professor universitário adverte ainda que o que aconteceu “em relação à energia na Ucrânia pode repetir-se em relação a outras origens de outros tipos de produtos”.









