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Domínio dos EUA sobre o petróleo venezuelano estabiliza preços, mas há "pontos de interrogação maiores"
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João Duque

Domínio dos EUA sobre o petróleo venezuelano estabiliza preços, mas há "pontos de interrogação maiores"

06 jan, 2026 • Olímpia Mairos , com André Rodrigues


João Duque considera que o controlo norte-americano sobre o petróleo venezuelano poderá manter preços estáveis, mas a imprevisibilidade geopolítica aumenta a incerteza e reforça a procura por ativos de refúgio.

O comentador da Renascença João Duque diz que a posição assumida pelos Estados Unidos em relação à Venezuela deverá traduzir-se num maior controlo do preço do petróleo, com impactos diretos na economia global e no bolso dos consumidores.

No comentário às recentes declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou que “este é o nosso hemisfério”, João Duque sublinha que falar da Venezuela é falar de um dos maiores produtores de petróleo do mundo e de reservas energéticas com elevado peso estratégico.

A expectativa é de que venha um controlo muito grande do preço do petróleo para favorecer a economia americana, as empresas americanas, as que exploram e as que refinam”, afirma.

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Segundo o economista, esta estratégia deverá beneficiar o mercado norte-americano e manter os preços do petróleo relativamente estáveis, algo que já se refletiu nos dados mais recentes dos mercados.

Nós devemos esperar preços razoavelmente estáveis e isso aliás foi basicamente o que os números do mercado nos deram ontem relativamente ao petróleo”, explica.

Apesar deste cenário mais favorável para os consumidores, João Duque alerta para uma mudança profunda nas regras das relações internacionais, marcada por maior imprevisibilidade. Depois de um primeiro ano dominado pelas tarifas e pela instabilidade, o economista admite ter esperado um contexto mais calmo em 2026.

“Pensava eu que 2026 seria um ano muitíssimo mais calmo, mas ele arranca para um tema novo, uma área completamente nova, que põe exatamente os mesmos pontos de interrogação ou maiores”, refere.

No seu espaço de comentário n’As Três da Manhã, o professor universitário sublinha ainda os riscos associados a possíveis tensões noutros países da região do Caribe, como Cuba ou a Colômbia, bem como o impacto das posições dos Estados Unidos em dossiers como a Gronelândia, as relações com a Europa e a NATO, além das reações da Rússia e da China.

Para João Duque, este contexto de incerteza poderá levar os investidores a procurar alternativas mais seguras.

“Essa instabilidade vai, muito provavelmente, levar a que muitos investidores voltem a olhar para ativos seguros como portos interessantes de refúgio. E estou a falar do ouro, basicamente”, conclui.

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