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“Se os preços subirem mais, será preciso fazer mais”
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João Duque

“Se os preços subirem mais, será preciso fazer mais”

19 mar, 2026 • Olímpia Mairos , com Sérgio Costa


Comentador da Renascença João Duque admite que medidas do Governo podem aliviar impacto, mas alerta para subida prolongada dos preços.

O Governo apresenta esta quinta-feira um novo pacote de medidas de apoio no contexto da crise energética, mas persistem dúvidas sobre a sua eficácia face ao cenário atual.

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Entre as medidas em cima da mesa estão o aumento do chamado “gás solidário” para 25 euros, a redução do imposto sobre o gasóleo profissional, apoios à botija de gás, um regime de limitação de preços e um mecanismo de proteção para consumidores vulneráveis.

Para o comentador da Renascença João Duque, a eficácia destas medidas dependerá sobretudo da duração da crise energética.

Essa é uma grande dúvida e é possível que seja, depende um bocadinho da dimensão da crise em termos temporais”, afirma.

O economista recorda que a evolução dos preços tem sido instável desde o início do conflito internacional, com subidas abruptas seguidas de descidas, mas alerta que o cenário atual é diferente.

Vimos uma subida exorbitante no preço de um dia para o outro, mas depois as coisas baixaram, e agora o que se tem verificado é que estão a subir sistematicamente, não tão agressivamente, mas de uma forma sistemática”, explica.

Segundo João Duque, esta tendência pode indicar um problema mais duradouro: “É aquela subida que parece que é para durar, a menos que se altere completamente o panorama e as hostilidades cessem imediatamente.”

Ainda assim, considera que as medidas podem ajudar a mitigar os efeitos junto dos mais vulneráveis, mesmo que não resolvam o problema estrutural.

É possível que, com esforço, [...] estas medidas, pelo menos, atalhem ou suprimam aquilo que é as dificuldades dos mais desfavorecidos”, sublinha, acrescentando que “não podemos fugir” ao impacto generalizado do aumento dos preços da energia.

O economista aponta ainda um cenário de referência: preços do petróleo entre os 100 e os 110 euros por barril. Caso haja nova escalada, admite que serão necessárias mais respostas.

Se começarem a subir ainda mais para os 120, 130, bom, aí algo mais terá que ser feito seguramente”, avisa.

João Duque defende também maior intervenção ao nível europeu, criticando a falta de medidas mais concretas por parte de Bruxelas.

Esperava que a União Europeia tomasse uma medida mais concreta para dar mais folga aos vários Estados”, diz, sugerindo margem para atuação fiscal sobre os combustíveis.

O comentador lembra ainda que a subida dos preços pode traduzir-se em maior receita para o Estado, caso o consumo se mantenha estável, reforçando a necessidade de ajustar políticas para equilibrar esse impacto junto dos consumidores.

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