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Portugal está muito envelhecido e o dinheiro gasto na saúde nem sempre tem retorno
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João Duque

Portugal está muito envelhecido e o dinheiro gasto na saúde nem sempre tem retorno

12 mai, 2026 • Olímpia Mairos , com Sérgio Costa


Economista defende mais prevenção, melhor gestão dos recursos e mudanças de hábitos para reduzir a pressão sobre o sistema de saúde.

O comentador da Renascença João Duque considera que os problemas no setor da saúde em Portugal resultam sobretudo do envelhecimento da população e de falhas na gestão dos recursos, apesar do elevado investimento público no setor.

O comentário surge num contexto marcado pela greve dos enfermeiros, pelo alerta da Ordem dos Enfermeiros sobre a intenção de emigração de 40% dos recém-formados e pelo aumento das listas de espera para cirurgias oncológicas e cardíacas.

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Para o economista, o principal fator de pressão sobre o sistema de saúde é o envelhecimento demográfico. “Somos uma população muito envelhecida e que vai requerer cada vez mais cuidados de saúde”, afirma, sublinhando que o crescimento da população idosa em Portugal é “impressionante” e “um bocado arrepiante”.

O professor universitário considera ainda que a população portuguesa apresenta problemas de saúde mais acentuados do que outros países europeus. “Somos aparentemente mais doentes que outras populações idosas”, afirma, apontando como exemplo a falta de vitamina D entre os portugueses, “o que é espantoso num país com tanto sol”.

O economista associa também alguns problemas de saúde à falta de mobilidade e atividade física. “As pessoas estão muito metidas em casa, fecham-se muito”, diz, defendendo hábitos mais saudáveis e maior contacto com o exterior.

Apesar do aumento da despesa na saúde, João Duque considera que os resultados continuam insuficientes. “Nós gastamos muito dinheiro, gastamos cada vez mais”, afirma, acrescentando que Portugal é “o sétimo país em 44 na Europa” em percentagem do PIB dedicada à saúde. Ainda assim, lamenta, “os problemas continuam e a agravar-se cada vez mais”.

O comentador aponta igualmente problemas de organização no sistema. “Temos mais médicos, mas poucos enfermeiros”, refere, relacionando a greve desta terça-feira e os casos de burnout com a falta de equilíbrio nos recursos humanos.

Como possíveis soluções, o economista defende maior educação para a saúde e mudanças de hábitos na população. “Há coisas que são relativamente baratas”, afirma, destacando “fazer mais exercício, apanhar mais sol, luz, bom ar”.

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