João Duque n´As Três da Manhã
Terças e quintas-feiras, às 9h20, n'As Três da Manhã
A+ / A-
Arquivo
Ensino Superior: “É fundamental rever o modelo de financiamento aos alunos”
Ouça aqui o comentário

João Duque

Ensino Superior: “É fundamental rever o modelo de financiamento aos alunos”

14 mai, 2026 • Olímpia Mairos , com Sérgio Costa


Economista e comentador da Renascença defende mudanças no modelo de apoio aos estudantes e diz que muitas famílias não conseguem suportar os encargos universitários.

O comentador da Renascença João Duque considera que Portugal enfrenta um problema estrutural no financiamento do ensino superior, apesar de reconhecer que o investimento na educação continua a trazer retorno económico e profissional para os estudantes.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

As declarações surgem após a divulgação de dados que indicam que Portugal é um dos países que menos investe no ensino superior, com as famílias portuguesas a suportarem cerca de 30% das despesas iniciais, mais do dobro da média da União Europeia.

João Duque admite que a situação pode ser vista por duas perspetivas. “É ver o copo meio vazio. Mas o copo meio cheio é ver que Portugal é o país onde um euro investido em educação mais rende”, afirma.

Segundo o economista, o principal benefício da formação superior é sentido diretamente pelos estudantes. “O benefício da educação é primeiro captado pela pessoa, traduz-se em maior empregabilidade e melhores condições de empregabilidade”, explica, acrescentando que salários mais elevados acabam também por gerar mais receita fiscal para o Estado.

Ainda assim, o comentador alerta para os encargos que dificultam o acesso ao ensino superior, sobretudo para famílias com menos recursos. De acordo com o estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos é onde se paga mais por um curso.

Para João Duque, o problema não está tanto nas propinas, mas nos custos associados à deslocação e permanência dos alunos longe de casa. “Não propriamente as propinas, mas habitação, deslocação. Isto tem que ser revisto, tem que haver aqui uma forma de baixar estes custos”, defende.

O economista sublinha também que os estudantes com níveis de formação mais elevados acabam, em média, por ter rendimentos superiores. “Um aluno que sai com licenciatura para o mercado de trabalho, mesmo tendo dois anos de experiência, acaba por ter um rendimento inferior ao de quem entra depois com um mestrado”, exemplifica.

João Duque insiste ainda na necessidade de reforçar os apoios sociais aos estudantes economicamente mais vulneráveis. “Aqueles que não têm condições financeiras para fazer o tal investimento inicial têm de ser apoiados, e isso é muito importante”, afirma.

O comentador critica igualmente a demora nos reembolsos e mecanismos de apoio estatal. “Não se pode pedir a uma família que não tem meios para mandar um estudante no início de setembro para uma universidade e depois apenas tratar de um reembolso em janeiro ou fevereiro”, alerta.

Nesse sentido, defende que “é fundamental rever o modelo de financiamento aos alunos”, de forma a garantir igualdade de oportunidades no acesso ao ensino superior.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.