João Pedro Tavares
Opinião de João Pedro Tavares
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Humildade e Autenticidade

17 nov, 2025 • Opinião de João Pedro Tavares


Humildade e autenticidade são valores do quotidiano e não para se ensaiarem ou se praticarem em momentos especiais ou serem proclamados. Comprovam-se nas dificuldades e não nos sucessos.

A humildade e a autenticidade estão intimamente ligadas pois a segunda não existe sem a primeira, pelo contrário, alimentam-se mutuamente. São propósitos e valores de cume, pois dependem de muito outros e são de caminho pois vão-se comprovando e testando com outros, como sejam, a vulnerabilidade ou a verdade. Ou ainda, com a atenção ao outro, o espírito de serviço. Exigem superação, coragem, disponibilidade, confiança, perseverança. Não estão na primeira linha do quotidiano e podem ser confundidos com fraqueza, com exposição desnecessária.

No mundo do trabalho, estes valores são particularmente exigentes. Vivemos uma cultura organizacional onde se promove a urgência, a competição, a busca de resultados imediatos ou o crescimento contínuo. Escondemo-nos atrás da máscara da eficiência e da eficácia, ou do rigor e da exigência, esquecendo-nos de que ensaiar o convívio de todos estes aspetos torna o modelo mais pleno e mais profícuo.

Tudo depende do modo como vivermos e fizermos o exercício da liderança, como serviço ou como poder, com propósito ou como função. Como algo que se obteve numa promissora carreira ou como dádiva de uma oportunidade que nos foi oferecida? Ou ainda, como exercício de uma profissão ou de uma vocação?

A autenticidade obriga-nos a sermos consistentes entre o que somos, o que pensamos, como decidimos e como atuamos. A apresentarmo-nos como pessoas e não apenas como profissionais. A saber construir nos insucessos e nos erros mais do que no que se atingiu com sucesso.

A humildade, cuja origem da palavra é o húmus, a primeira camada de terra fértil, rica e de bom proveito, que dá vida, mesmo pisada, ignorada ou pouco valorizada, é fonte de vida nova, sendo acompanhada da simplicidade, do espírito de serviço, do descentramento de si mesmo. É mãe da confiança, da proximidade, do espírito de grupo, promotora da inclusão, do respeito pelo outro, do bem comum. Na humildade alegramo-nos com o sucesso dos outros, dispensamos a aprovação própria ou o elogio. Tudo tem um sentido, independentemente dos resultados.

Uma e outra exigem auto-conhecimento, perseverança e confiança e são valores definidores do carácter.

Humildade e autenticidade são valores do quotidiano e não para se ensaiarem ou se praticarem em momentos especiais ou serem proclamados. Comprovam-se nas dificuldades e não nos sucessos. Mas o que têm reservado para os que as praticam é um mundo novo, absolutamente distinto, de novos resultados, de relações, de confiança, de estima, de plenitude. São como chaves de portas que se abrem, para novos caminhos, interiores e exteriores, que ainda se desconhecem.

Neste ano em que estamos convidados a ser peregrinos da Esperança continuamos a meditar nas características dos líderes que vivem com propósito, que vão para lá dos resultados financeiros e de curto-prazo. Também aqui poderemos inovar se, no quotidiano da vida, no que é pequeno ou invisível, ensaiarmos a humildade, a autenticidade, a disponibilidade ou a proximidade aos outros. O caminho e os resultados são extraordinários para os que têm a coragem e a vontade de viver desta forma.

Comentários
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  • António Rhodes Sérgi
    17 nov, 2025 Santarém 16:17
    Parabéns Joao Pedro, que atributos tão genuínos e tão pouco fáceis de encontar.