João Pedro Tavares
Opinião de João Pedro Tavares
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Bom Ano Novo!

13 jan, 2026 • Opinião de João Pedro Tavares


E eu? A que me comprometo? Como poderei contribuir, na minha pequenez, a que este seja mesmo um Feliz Ano Novo? Como construtor da paz e como agente de maior justiça social e promotor da inclusão, em particular, na defesa dos mais indefesos?

Ao desejarmos “Feliz Ano Novo, Haja Saúde” que expectativas temos? Para lá de um propósito de “ano novo, vida nova”, o que muda de facto de dezembro para janeiro? O que faz do ano seguinte, que se aproxima, um Novo Ano? Novo, porque diferente, novo porque nos comprometemos a novos objectivos, alguns já ensaiados no ano anterior ou já postos em prática?

Pelo meio fazem-se promessas, juras, desejos, propósitos, mas, de facto, é muitas vezes e apenas mais um ano que começa e não, verdadeiramente, um Ano Novo. Na maioria dos casos, absolutamente nada muda e, por isso, em coerência deveríamos desejar Bom Ano, continuação de bom caminho, mas não muito mais do que isso.

Não é falta de esperança, mas é procurar ser, apenas, coerente, consciente e consistente. O que significa um Ano Novo, no Ruanda, no Iémen, na Síria, na Etiópia, na Somália, no Congo, em Moçambique, na Nigéria, no Afeganistão, em Gaza, na Ucrânia, só para citar alguns dos países em guerra e tantos outros conflitos armados que assolam o mundo? No último ano, a violência armada intensificou-se à escala global, com um aumento de vítimas mortais na ordem dos quarenta por cento. A cada doze minutos, um civil é morto em contexto de guerra. E que dizer dos milhões de pessoas empurradas para o exílio por estes confrontos? Podemos por isso dizer que foi um bom ano aquele que passou?

E o que dizer de um mundo em que mais mil milhões de pessoas vivem na pobreza, em que cerca de 27% das crianças são vítimas da pobreza, a grande maioria nos 112 países estruturalmente pobres, mas também no mundo desenvolvido, incluindo o nosso país que sofre de uma pobreza estrutural?

Um Feliz Ano novo é sermos promotores da paz e não desistentes por imposição da força. A paz não é a ausência de guerra – ainda que isso já fosse muito bom – mas maior respeito pelo outro, recurso a tempo de diálogo e comunicação profícua, busca do bem comum, exercício de liberdade verdadeira, promoção da verdade. Exige espírito de serviço, busca de pontes, compromisso com a confiança, exercício de escuta, reconhecimento de legítimos compromissos estabelecidos entre todos.

E eu? A que me comprometo? Como poderei contribuir, na minha pequenez, a que este seja mesmo um Feliz Ano Novo? Como construtor da paz e como agente de maior justiça social e promotor da inclusão, em particular, na defesa dos mais indefesos?

Talvez a resposta não esteja em grandes gestos, mas em não me demitir da responsabilidade de cuidar, de questionar e de agir, sempre que a dignidade humana é posta em causa: no trabalho que faço, nas pessoas que escuto, nas injustiças que não ignoro e nos mais frágeis que não deixo sozinhos.

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